O secretário da Fazenda de Minas Gerais, Alexandre Dupeyrat, voltou a colocar em dúvida o cumprimento dos compromissos externos do Estado. Ele disse ontem que ‘‘pode não haver (garantias)’’ de que os eurobônus (títulos do Estado no valor de US$ 200 milhões, lançados no exterior em 94) serão pagos em dia.
Na segunda-feira, representantes do banco europeu Indosuez, que coordenou o lançamento dos eurobônus, em 1994, reuniram-se com o governador Itamar Franco (PMDB) para tentar obter garantias de que o pagamento seria feito. ‘‘Eles ouviram a verdade sobre a situação crítica do estado, que se agravou agora na mesma proporção da desvalorização da moeda’’, afirmou o secretário, insinuando o provável não cumprimento do acordo.
A questão eurobônus revela, no entanto, o primeiro desacerto entre os integrantes do governo Itamar. O vice-governador, Newton Cardoso (PMDB), reiterou, depois da fala do secretário, o que já havia dito na última segunda-feira.
Newton garantiu que o compromisso será honrado. A primeira parcela de eurobônus, de US$ 108 milhões, vence no próximo dia 10. Desse valor, US$ 78 milhões já estão provisionados no Banco do Brasil, desde o governo de Eduardo Azeredo (PSDB), antecessor de Itamar. O Estado precisa depositar os US$ 30 milhões restantes. A segunda parcela de eurobônus vence em fevereiro do ano que vem. ‘‘A (fala) do vice-governador ocorreu antes da desvalorização da moeda. Você tem de pagar mais 8%. Qualquer acréscimo complica’’, disse o secretário, ao negar que esteja havendo divergência entre a equipe de governo.
Dupeyrat chegou a insinuar que, com a desvalorização do real e com a retenção dos repasses federais a Minas, o governo federal esteja querendo promover o ‘‘estrangulamento financeiro’’ do Estado. ‘‘Se não houver estrangulamento financeiro do Estado por parte da União, os compromissos serão honrados dentro do escalonamento próprio. Se ocorrerem medidas de deliberado estrangulamento, a questão muda de figura. Aí tudo vai se tornar inviável’’, disse ele.
Perguntado se o Estado acha que o governo federal quer prejudicar as finanças do Estado, o secretário respondeu: ‘‘O que lhe parece? Quem procede dessa forma, né?’’. Ele insinuou também que o governo federal esteja discriminando Minas, ao afirmar que não recebeu resposta do governo sobre um pedido de audiência, feito no último dia 4, para falar sobre a renegociação das dívidas. ‘‘(...) Além desse quadro caótico, o que se tem é uma perspectiva de o governo federal não querer compreender a situação crítica em que se encontram as finanças do Estado, colocando em risco a prestação dos serviços essenciais à população’’, disse.
Dupeyrat participou ontem com o governador Itamar Franco de reunião do Conselho de Administração da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) para mudança da diretoria. O governador ignorou as perguntas de repórteres sobre a crise financeira e as medidas adotadas pelo governo federal. ‘‘Vamos falar de outro assunto?’’, respondia.

mockup