Milton Temer, o velho reformista revolucionário
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O deputado federal Milton Temer (PT-RJ), candidato à presidência do PT, era moderado na juventude e hoje, aos 58 anos, é considerado um radical. Milton começou sua carreira política como militante do conciliador PCB. Depois, passou pelo PSB e, no PT, abandonou a Articulação - a corrente de Luiz Inácio Lula da Silva e do atual presidente do partido, José Dirceu - para ser porta-voz das alas mais radicais da legenda. Sou um velho reformista revolucionário, define-se.
Casado pela primeira vez há apenas oito anos, Milton tem dois filhos. Um deles é uma moça russa - fruto de um romance fugaz em Moscou - e de cuja existência ele só tomou conhecimento no ano passado. A família do deputado, de origem síria, era simpatizante do comunismo.
Mas Milton só se filiou ao PCB em 1966, dois anos depois de ter sido preso e cassado - era primeiro-tenente da Marinha e servia no gabinete do ministro Paulo Mário no governo de João Goulart.
No mesmo ano, começou a trabalhar como jornalista e passou pelas principais redações do Rio, além de editar o órgão oficial do partido, A Voz Operária - o que o levou à prisão, pela segunda vez, em 1969.
Em 1973, foi mandado pela direção do PCB para a Escola de Quadros em Moscou. De lá, seguiu para Budapeste e tornou-se dirigente da Federação Mundial da Juventude Democrática. Em 1978, já morando em Paris, desligou-se do PCB.
De volta ao Brasil em 1979, beneficiado pela anistia, Milton retomou o trabalho de jornalista. Em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais desde o início do regime militar, engajou-se na campanha do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), então no PMDB.
Em 1986, Milton foi eleito deputado estadual pelo PSB e, dois anos depois, mudou-se para o PT.


