Fernando Henrique pediu ontem o apoio dos militares à decisão de criar o Ministério da Defesa. Na área militar, há resistências à nova pasta. No Clube Naval, o ministro da Marinha, almirante Mauro César Pereira, ao saudar FHC em nome das Três Forças, ressalvou que ‘‘soaria falso’’ afirmar que as palavras são de consenso. Pereira observou que falava isso para ‘‘desfazer a idéia de que os militares têm de estar, com uma opinião absoluta, como se fossem autômatos saídos de uma só forma’’.
A idéia de que os pensamentos são únicos, segundo o ministro, daria margem ‘‘a que se pense minimizar a complexidade de estruturas obrigatoriamente distintas, acreditando ser possível unificá-las de maneira simplista, rápida e pouco estudada, porquanto seriam meras manifestações corporativas de um mesmo estereótipo’’.
FHC prometeu estar ‘‘atento ao dia a dia da implementação do novo órgão, que será feita paulatinamente’’ e preservar as tradições mais nobres das Forças Armadas. Ele considerou a decisão de criar o ministério ‘‘a mais marcante deste primeiro mandato, no âmbito militar’’. Em seguida, falou que esta pasta será ‘‘o órgão central do sistema de defesa nacional’’, que tem por objetivo a otimização da capacidade de defesa do País, a modernização e a racionalização das Forças Armadas.
O ministro disse que os militares apóiam conscientemente o projeto de criação da nova pasta encaminhada ao Congresso e vão trabalhar para a sua estruturação. Para ele, o debate democrático sobre a criação da nova pasta no Legislativo dará toda legitimidade à proposta.
Fernando Henrique, ao responder a saudação, disse que a criação do Ministério da Defesa foi discutida durante dois anos e nove meses nos círculos militares e que só depois foi criado o grupo interministerial para definir o modelo do novo ministério. Para ele, o País vive hoje um ‘‘momento positivo’’ e a exposição de idéias e a defesa de pontos de vista não se confunde com a não cooperação.
Em São Paulo, o deputado federal José Genoino (PT) disse ontem que o Ministério da Defesa a ser criado por MP ainda este mês corre o risco de já nascer ‘‘torto e esvaziado’’. Para o oposicionista, o ministério nasceria torto porque já existe no Congresso uma lei complementar que cria a pasta. ‘‘É uma superposição e na verdade uma bagunça. Não sei por que essa pressa.’’ E nasceria esvaziado, segundo ele, porque, se a MP refletir o que diz a lei, os comandantes militares da Marinha, Exército e Aeronáutica teriam seus poderes fortalecidos. (Colaborou Márcia Furlan).

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