Militares reivindicam 41% de reajuste
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O alto comando da Polícia Militar (PM) do Paraná, através de cinco entidades representativas da categoria, está pedindo um aumento salarial de 41% ao governo do Estado. A Folha teve acesso a um documento (Memorial causas de insatisfação e intranquilidade da classe) com nove páginas, onde os militares apresentam ao governo Jaime Lerner (PFL) uma análise crítica sobre as medidas que vêm sendo tomadas e que os atingem diretamente.
Além da reposição referentes às perdas salariais decorrentes da inflação, os PMs apresentaram mais 18 reividicações. Entre elas, estão a uniformização da remuneração pela extensão dos percentuais de gratificação especial a todos os PMs e seus pensionistas; o cumprimento do pagamento do terço de férias no mesmo mês do gozo, atualizando os atrasados; e o pagamento das diárias atrasadas e adiantamento de recursos financeiros para ressarcimento das despesas de viagens realizadas em serviços.
O Fórum das Entidades Representativas, Assistenciais e de Defesa dos Policiais e Bombeiros Militares e Pensinistas (que engloba as cinco entidades que assinam o manifesto) também pede a criação de um fundo próprio de previdência para a classe. E solicita a suspensão das investidas da Paraná Previdência na revisão dos processos de aposentadorias de PMs já concluídos e referendados pelo Tribunal de Contas. Em 1998, o comando da PM havia feito a mesma reivindicação, que não foi aceita pelo governo do Estado.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, confirmou à Folha que o documento foi recebido por ele há uns quinze dias e que imedidatamente foi formada uma comissão de alto nível para analisar as reivindicações. A primeira reunião do grupo acontece hoje à tarde, na secretaria de Segurança. O coronel da reserva Honorio Olavo Bortolini (coordenador do Fórum) e o presidente da Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos da PM, 2º sargento Elídio Donizete Rodrigues, representam o movimento classista.
O coronel Abelmídio de Sá Ribas (da diretoria de ensino da PM) vai representar o comando da PM, enquanto o diretor geral da Secretaria de Segurança, Roberto Lobo Blasi, e o chefe de gabinete da Casa Civil, José Carlos Campos Hidalgo, representarão o Executivo. Vamos fazer uma reunião preliminar para ouvir e analisar as reivindicações antes de apresentá-las aos secretários de Estado e ao governador Jaime Lerner, informou Hidalgo.
Ontem, a reportagem tentou entrevistar três dos cinco presidentes das entidades, mas eles não foram encontrados. Na conclusão do manifesto os PMs deixam clara a insatisfação da corporação com a falta do cumprimento da palavra empenhada e, até agora, não cumprida pelo governador, que chega a amanhã dos Estados Unidos.
O texto afirma que nos últimos anos a PM tem sido instrumento de marketing político positivo para o Governo exemplo de realizações e conquistas esperamos, em Deus, que as injustiças não a tornem instrumento de propaganda política depreciativa. Queremos somar, mas, também precisamos de consideração e respeito.


