O alto comando da Polícia Militar (PM) do Paraná, através de cinco entidades representativas da categoria, está pedindo um aumento salarial de 41% ao governo do Estado. A Folha teve acesso a um documento (‘‘Memorial – causas de insatisfação e intranquilidade da classe’’) com nove páginas, onde os militares apresentam ao governo Jaime Lerner (PFL) uma ‘‘análise crítica sobre as medidas que vêm sendo tomadas e que os atingem diretamente’’.
Além da reposição ‘‘referentes às perdas salariais decorrentes da inflação’’, os PMs apresentaram mais 18 reividicações. Entre elas, estão a uniformização da remuneração pela extensão dos percentuais de gratificação especial a todos os PMs e seus pensionistas; o cumprimento do pagamento do terço de férias no mesmo mês do gozo, atualizando os atrasados; e o pagamento das diárias atrasadas e adiantamento de recursos financeiros para ressarcimento das despesas de viagens realizadas em serviços.
O Fórum das Entidades Representativas, Assistenciais e de Defesa dos Policiais e Bombeiros Militares e Pensinistas (que engloba as cinco entidades que assinam o manifesto) também pede a criação de um fundo próprio de previdência para a classe. E solicita a ‘‘suspensão das investidas’’ da Paraná Previdência na revisão dos processos de aposentadorias de PMs já concluídos e referendados pelo Tribunal de Contas. Em 1998, o comando da PM havia feito a mesma reivindicação, que não foi aceita pelo governo do Estado.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, confirmou à Folha que o documento foi recebido por ele ‘‘há uns quinze dias’’ e que ‘‘imedidatamente’’ foi formada uma ‘‘comissão de alto nível’’ para analisar as reivindicações. A primeira reunião do grupo acontece hoje à tarde, na secretaria de Segurança. O coronel da reserva Honorio Olavo Bortolini (coordenador do Fórum) e o presidente da Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos da PM, 2º sargento Elídio Donizete Rodrigues, representam o movimento classista.
O coronel Abelmídio de Sá Ribas (da diretoria de ensino da PM) vai representar o comando da PM, enquanto o diretor geral da Secretaria de Segurança, Roberto Lobo Blasi, e o chefe de gabinete da Casa Civil, José Carlos Campos Hidalgo, representarão o Executivo. ‘‘Vamos fazer uma reunião preliminar para ouvir e analisar as reivindicações antes de apresentá-las aos secretários de Estado e ao governador Jaime Lerner’’, informou Hidalgo.
Ontem, a reportagem tentou entrevistar três dos cinco presidentes das entidades, mas eles não foram encontrados. Na conclusão do manifesto os PMs deixam clara a insatisfação da corporação com ‘‘a falta do cumprimento da palavra empenhada e, até agora, não cumprida’’ pelo governador, que chega a amanhã dos Estados Unidos.
O texto afirma que ‘‘nos últimos anos a PM tem sido instrumento de ‘marketing’ político positivo para o Governo – exemplo de realizações e conquistas – esperamos, em Deus, que as injustiças não a tornem instrumento de propaganda política depreciativa. Queremos somar, mas, também precisamos de consideração e respeito’’.

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