Militares reagem à bomba atômica proposta por Enéas
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
A área militar ficou estupefata com as declarações do candidato do Prona à presidência da República, Enéas Carneiro, que voltou a defender ontem, na estréia do horário gratuito na TV, a fabricação da bomba atômica brasileira para afastar possíveis inimigos. A idéia se choca com os compromissos do País quanto ao uso da tecnologia atômica, nos quais deixa clara a vocação pacífica do povo, disse o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. A política de defesa nacional define a posição brasileira favorável ao desarmamento global, condicionado ao desmantelamento dos arsenais nucleares e de outras armas de destruição em massa, prosseguiu o general.
Os militares consultados não acreditam que essas afirmações de Enéas possam trazer maiores problemas diplomáticos para o Brasil. Primeiro porque se trata de um candidato nanico, sem qualquer chance na disputa para a sucessão de FHC. Segundo, lembram os militares, porque o Brasil é signatário do tratado de não-proliferação de armas nucleares e o País cumpre todo os acordos internacionais que assina.
De acordo com um dos oficiais, a destinação pacifista do povo brasileiro é cegamente seguida pelas Forças Armadas. No caso da Marinha, explicou, o Projeto Aramar está sendo desenvolvido para que se possa construir um submarino a propulsão nuclear, que nada tem a ver com armamento nuclear. Para esse militar, as declarações do Enéas são por conta da emoção da campanha.


