Militares querem regras para a compra de armas
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Agência Folha Brasília 
Empresários e militares querem que as Forças Armadas adotem cláusulas de compensação nos contratos de aquisição de equipamentos estrangeiros sofisticados, como aviões, helicópteros e fragatas. Nos contratos devem constar cláusulas que obriguem as empresas fornecedoras a acertar parcerias com empresas nacionais para transferência de tecnologia ou de manutenção dos equipamentos.
A proposta de compensação foi discutida ontem no seminário A Indústria e a Defesa Nacional, promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Emfa (Estado-Maior das Forças Armadas) para empresários da indústria bélica. Quem compra tem força para impor cláusulas que assegurem a transferência de tecnologia, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa, Domingos Olivieri.
Segundo ele, cláusulas de compensação já foram incluídas em contratos firmados pela Aeronáutica e Exército com empresas estrangeiras. Para Olivieri, isso é necessário porque tanto as Forças Armadas quanto as empresas não têm recursos para investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Durante o debate, o comandante do 8 º Distrito Naval (SP), Alberto Annarumma, pediu o apoio dos empresários para transformar em lei a exigência de cláusulas de compensação. Se houver guerra, vocês têm mais a perder porque eu ganho pouco.
Na abertura do seminário, os ministros Alberto Cardoso (Casa Militar) e Benedito Leonel (Emfa) e o presidente da CNI, Fernando Bezerra, defenderam o acesso das empresas nacionais ao mercado internacional de defesa.


