Militares no poder: professor vê contraponto ao ímpeto de Bolsonaro
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Vitor Struck/Reportagem Local 
Se ao participar do Fórum Econômico Mundial em Davos o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu não conversar abertamente com jornalistas do mundo todo, no Brasil, o general que o substituiu no cargo, o vice Hamilton Mourão (PRTB), não poupou a voz quando questionado e nem a caneta, contrariando uma declaração feita antes da viagem presidencial à Suíça de que não assinaria nenhum decreto na ausência de Bolsonaro.
Em seu último ato como presidente em exercício, Mourão alterou pontos da Lei de Acesso à Informação promulgada por Dilma Roussef (PT), permitindo que funcionários comissionados tornem documentos do governo ultrassecretos, até então inacessíveis por 25 anos, prorrogáveis por mais 25.
Na recém-iniciada gestão Bolsonaro, o militarismo trazido democraticamente pelas urnas nas eleições de outubro do ano passado chegou ao auge com Mourão na presidência. Até agora já são 45 militares em 21 áreas do governo, do 1º e 2º escalões, algo inédito desde a redemocratização do País. Fica a incerteza quanto à convivência entre os poderes dentro da equipe, especialmente em posições estratégicas, como no Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria de Governo, Ministério da Defesa e Secretaria de Assuntos Estratégicos.
O cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando, admite que as chances de Jair Bolsonaro, capitão da reserva, trocar militares no ministério seria menor do que no caso de ministros civis, mas vê com bons olhos algumas situações específicas. Para ele, em um mandato que no primeiro mês tem se caracterizado por recuos sucessivos, especialmente em ações de viés ideológico, a presença dos militares no governo acabam sendo um contraponto de "racionalidade".
"Provavelmente seria mais complicado por conta das ligações que ele tem com esse grupo. Agora, eu tenho lido que, especialmente na alta cúpula da República, os militares com mais projeção são aqueles que de uma certa maneira têm controlado os ímpetos do presidente e têm dado uma racionalidade ao governo", avalia.
Ele lembra que, durante a campanha eleitoral, o então candidato pediu para que seu vice falasse um pouco menos, subordinando um general às ordens de um capitão. "Isso tudo vai depender da transformação do Bolsonaro, paulatinamente, no líder que ele deve ser como presidente da República, visto que a campanha já acabou. Se não der certo, a responsabilidade é dele (Bolsonaro)", afirma.
DEMOCRACIA
Já o professor de Ética e Filosofia Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Clodomito Bannwart prefere pensar que a solução para as tensões inerentes doas dias atuais passem, necessariamente, pelos mecanismos institucionais e democráticos que estão amparados na Constituição, e não por expedientes excepcionais ou regras extraordinárias.
"O momento requer de todos, agentes políticos e cidadãos, muita reflexão e, sobretudo, bom senso daqueles que estão no comando do país", pondera.


