Curitiba Três dos principais candidatos ao governo do Estado utilizam guarda-costas durante as viagens e compromissos da campanha eleitoral. São integrantes da Polícia Militar, da reserva ou licenciados, que se dedicam à segurança dos candidatos. Segundo eles, a função é mais ampla, atuando como uma espécie de secretário executivo dos candidatos.
O senador e candidato ao governo, Alvaro Dias (PDT), é acompanhado por dois militares, que se revezam acompanhando a agenda de campanha. O tenente-coronel Itamar dos Santos, 47 anos, tem 30 anos de PM e é comandante do Regimento da Polícia Montada, de onde está licenciado. Seu irmão Iranil dos Santos, 52, completou 35 anos de carreira, está na reserva e tem uma escola de defesa pessoal. ''Não realizamos trabalho de segurança especificamente, mas de assessoramento até político e, é claro, também a proteção pessoal'', diz Iranil. Os dois foram escolhidos porque já haviam trabalhado na segurança pessoal de Alvaro, quando ele era governador.
O coronel Iranil avalia que no Paraná não há muito risco de atentado aos candidatos, mas a preocupação com a segurança se estende à comunidade. ''Temos que estar atentos em carreatas, para não haver atropelamentos, e nos comícios, tumultos ou brigas'', explica. Segundo ele, a equipe tem tido o apoio da PM no interior e na Capital, com escolta nas carreatas. O número de integrantes da equipe não foi revelado, por questões de segurança.
O capitão Anselmo José de Oliveira, 36, está na PM desde 1984 e já foi ajudante de ordem do senador e candidato ao governo Roberto Requião (PMDB) quando este era governador. Atualmente, está lotado no 17º Batalhão da Polícia Militar em São José dos Pinhais. Para acompanhar o candidato, capitão Anselmo tirou uma licença eleitoral e se candidatou a deputado estadual. ''Acompanho o senador como uma espécie de secretário executivo, que é a função de um ajudante de ordem na linguagem militar, e aproveito para fazer minha campanha'', conta. Ele não diz quantas pessoas integram sua equipe.
O coronel José Cavalin de Lima, 50, está há 32 anos na PM e se licenciou das funções para coordenar a equipe de segurança, composta por oito pessoas, que acompanha o candidato Beto Richa (PSDB). O coronel faz parte do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Segundo a assessoria de imprensa do candidato, a equipe não trabalha apenas preocupada com a segurança física do candidato, mas funciona como uma equipe de logística, para fazer o transporte terrestre do candidato em alguns trechos e fazer reservas de hotel, por exemplo.
Todos os assessores de segurança dos candidatos dizem não ter tido qualquer incidente até agora na campanha. Segundo eles, a receptividade da população em relação aos candidatos é muito boa. A Polícia Militar confirmou que os oficiais estão devidamente licenciados de suas funções e informou que há outros policiais na mesma situação.
O candidato ao governo pelo PT, Padre Roque, não é acompanhado por seguranças. ''Convivi cerca de cinco meses com dois policiais federais, à época da CPI do Narcotráfico, quando recebia frequentes ameaças. Como candidato ao governo do Estado, não vejo motivos para andar sob a tutela de guarda-costas'', diz. Segundo ele, a faixa populacional à margem da assistência do Estado tem muito mais razões para viver sob o sentimento da insegurança.

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