Militares aumentam pressão por reajuste
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 2004
Agência Estado 
Brasília - Os militares aumentaram ontem a pressão sobre o governo para garantir um reajuste salarial à categoria de pelo menos 30% sobre os vencimentos. Depois de realizar uma manifestação, domingo, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, durante a cerimônia da troca da bandeira, a reivindicação chegou ontem aos canais oficiais das Forças Armadas. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno da Silva, em nota oficial, advertiu sobre ''a possibilidade de florescer insatisfação social'' nos quartéis.
No comunicado, Silva ressalta que ''é notória a depreciação'' dos salários da categoria, diz que os comandantes têm levado as reivindicações dos militares ao Ministério da Defesa e informa que os estudos apontam índices de defasagem de até 35,4%. Ele conclui o documento, que foi lido em todas as unidades da Força Aérea do País, ontem, afirmando que é preciso, ''de forma intransigente'', o cumprimento da ''hierarquia e da disciplina'' na força.
Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará ao lado do comandante da Aeronáutica e do ministro da Defesa, José Viegas, para a reinauguração do Correio Aéreo Nacional (CAN), em Manuel Urbano (AC). A expectativa dos militares é que, nesta longa viagem de quase quatro horas de vôo, o comandante e o ministro possam conversar com o presidente sobre esta pressão que recebem e da necessidade de se intensificarem os estudos na área da Fazenda sobre esse tema.
Neste processo de pleito de aumento, há uma insatisfação paralela da cúpula militar porque o deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ), dentre outros, têm levantado a bandeira do reajuste e anunciou uma conversa com o ministro para os próximos dias. Oficiais consideram que, se Viegas atender Bolsonaro com as famílias que reivindicam o aumento, estará interferindo na hierarquia e disciplina, incentivando este tipo de pleito, que eles entendem que deve ser feito pela cadeia de comando.
Além disso, se o aumento sair, os louros serão do deputado e não da cadeia de comando, incentivando o que consideram inversão da ordem.


