Militar terá alíquota menor
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, admitiu ontem que a alíquota de contribuição dos militares poderá continuar diferente da estabelecida para os servidores civis. Os civis hoje pagam 11% e os militares, 5,1%. As características da carreira são diferentes, disse o ministro, tentando amenizar o clima de insatisfação nas Forças Armadas, após as declarações dadas por ele e os líderes dos partidos aliados anteontem, defendendo a equiparação das contribuições de civis e militares.
Os militares aceitam um aumento de contribuição de 5,1% para 9,5%, conforme consta de proposta a ser enviada ao Congresso nas próximas semanas, na nova Lei de Remuneração dos Militares. Aceitam também que aposentados e pensionistas também contribuam para a previdência, com o mesmo valor que o pessoal da ativa. Para o comandante da Marinha, almirante Sérgio Chagastelles, este desconto de 9,5% é o valor justo.
Se a imposição for maior, comentou, vamos ter de pedir compensação salarial. Já o comandante do Exército, general Gleuber Vieira, afirmou que os militares estão abertos à discussão sobre o mérito da taxação. Advertiu, no entanto, que o que não pode é verem o desconto do militar como forma de fechar o caixa (do Tesouro).
O ministro Ornélas garantiu que a emenda a ser encaminhada para o Congresso, na sexta-feira, depois da reunião com os governadores, inscreverá apenas o princípio pedido pelo STF de que contribuem para a Previdência dos funcionários públicos os ativos, inativos e os pensionistas civis e militares.
Segundo ele, a questão das alíquotas não se inscreve na Constituição, porque seria o mesmo erro cometido na Constituição de 88, quando se estabeleceu que os juros seriam de 12% ao ano. O ministro disse que o porcentual da alíquota será discutido somente no ano que vem. Mas a contribuição de civis e militares, acrescentou, tem de ser tratada separadamente porque a Constituição estabelece que as carreiras são distintas.





