Militar faz denúncias contra secretários
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segunda-feira, 18 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em depoimento à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) da Terra, ontem, em Curitiba, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, preso há 13 dias pela Polícia Federal (PF), invocou o direito constitucional de permanecer em silêncio sobre as perguntas feitas em relação às acusações que lhe são imputadas: formação de quadrilha (milícia), tráfico de armas e violação de direitos humanos. Por outro lado, esquentou a sessão fazendo graves acusações contra os secretários de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann.
Neves alegou que sua prisão teve motivação política, pois ele teria conhecimento de fatos que denigrem a imagem de membros do primeiro escalão do atual governo. Delazari, segundo o tenente-coronel, teria sido citado por um traficante conhecido por ''Pacheco'', nas investigações feitas pela Delegacia Antitóxicos e Grupo Fera, como comprador de cocaína. Por conta disso, durante a CPI do Narcotráfico, Delazari teria sido afastado do cargo de assistente da Procuradoria Geral da Justiça.
O tenente-coronel também relatou uma ocorrência envolvendo um irmão de Delazari, que teria sido preso dentro da Prisão Provisória do Ahú, ao tentar repassar cocaína a um preso amigo dele. A droga teria sido escondida na barra da calça.
Neves acusou Delazari e o chefe da inteligência da secretaria, Harry Hubert, de pedir escutas telefônicas em Colorado, forjando investigações de uma suposta quadrilha de policiais militares. Segundo o tenente-coronel, os ''grampos'' teriam objetivo de monitorar conversas de adversários políticos de um irmão de Delazari, que teria sido candidato a prefeito naquela cidade, nas últimas eleições.
Para conseguir interceptações que estão servindo de prova no inquérito da PF sobre a formação de milícias e tráfico de armas, acusou ainda Neves, a secretaria teria alegado que ele seria suspeito de envolvimento na morte de um major. ''O objetivo era outro. Era uma vendeta, uma vingança contra minha pessoa'', declarou.
No depoimento que durou duas horas e meia, Neves também acusou Padre Roque de ter ligações com pessoas que cobram uma espécie de ''pedágio'' nos acampamentos de sem-terra. O dinheiro seria repassado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O secretário deverá ser convidado a depor na CPMI.


