No dia em que o golpe militar completou 52 anos, integrantes de movimentos populares organizaram atos públicos em 25 capitais e em 31 cidades do interior do País contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Organizado pela Frente Brasil Popular, que reúne mais de 60 grupos sociais, partidos políticos de centro-esquerda, com destaque para o PT, além de sindicatos, o protesto contou com cerca de mil pessoas em Londrina – segundo os organizadores.
Após a concentração em frente ao Banco do Brasil, no Calçadão, por volta das 17 horas, os militantes seguiram até a Concha Acústica, onde foram feitos discursos e apresentações artísticas. Destacavam-se as bandeiras vermelhas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seguramente, o grupo mais numeroso, com aproximadamente 500 pessoas vindas dos acampamentos de Porecatu, Florestópolis e Centenário do Sul. Até às 21 horas, ainda permaneciam no centro de Londrina. A Polícia Militar e agentes de trânsito acompanharam o movimento.
Também carregavam cartazes e faixas contra o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e com a inscrição "não vai ter golpe". Se nas manifestações pelo impeachment, o juiz Sérgio Moro é ovacionado como herói, no ato de ontem ele foi criticado em vários discursos e considerado seletivo nas investigações da Operação Lava Jato. Sobraram críticas também para o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).
Embora os manifestantes sejam contra o impedimento da presidente, o tom de desencanto com políticas adotadas pelo governo ficou demonstrado. A professora aposentada Rose Friedmann afirmou que as falhas do governo não justificam o "golpe". "Passei por aquele momento triste em 1964, estive na fundação do PT e posso dizer que discordo do partido em muitas coisas, mas para que ocorram as mudanças que o povo precisa, precisamos ir às ruas, unidos, e não deixar a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ditar o ritmo."
Entre as principais reivindicações e críticas dos militantes estão a reforma da Previdência Social, a taxação das grandes fortunas e a manutenção dos direitos trabalhistas. A ex-ministra do Desenvolvimento Social do governo Lula Marcia Lopes participou do encontro, mas não discursou. À FOLHA ela reconheceu que houve por parte do governo um distanciamento dos movimentos sociais, porém, disse Marcia, apenas com a permanência de Dilma no cargo, "para o qual foi eleita democraticamente" pode haver solução para a crise econômica nacional. "A Dilma vai ficar e construir uma rearticulação com o Congresso, onde a relação sempre foi tensa."
Questionado se houve avanços nos programas de reforma agrária no atual governo, José Damasceno, membro da coordenação estadual do MST, disse que "nesse momento, para nós, a defesa da democracia é o mais importante, porque somente assim poderemos avançar em favor das camadas mais pobres".

Militantes protestam contra impeachment de Dilma
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PANELAS NAS JANELAS
O único momento mais tenso da mobilização em Londrina ocorreu na Concha Acústica, quando moradores de prédios da vizinhança começaram a bater panelas nas janelas. O gesto ficou marcado no País durante os pronunciamentos da presidente como protesto contra o governo. Imediatamente houve a reação dos militantes, com palavras de ordem, porém, sem maiores incidentes.

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