Militantes fazem primeiro encontro em Londrina
Ocorreu ontem em Londrina o primeiro encontro regional da Rede Sustentabilidade, partido que tem como maior expoente nacional a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. Defendendo a tese de que "não se de trata de mais um partido", os coordenadores destacam como um dos diferenciais da sigla a sua própria extinção, num prazo de dez anos, caso os resultados projetados não se confirmem.
Durante o evento em Londrina, o coordenador estadual do partido, Evandro Martini, recebeu a FOLHA e falou das diretrizes que devem nortear os redeiros. Um novo encontro estadual está previsto para o próximo sábado, em Curitiba. "Daqui a dez anos, se o partido não cumprir o compromisso com o povo brasileiro, de trazer ética para a política, ele vai se extinguir, conforme o estatuto. Então, temos a responsabilidade de não deixar esse sonho se acabar", disse Martini, explicando que a ideia é evitar a existência do "partido fisiológico".
O sistema de comando da Rede também prevê diferenças em relação aos demais. Martini afirmou que o partido não tem presidente, "para que não haja um dono". São dois coordenadores em cada diretório, sendo um homem e uma mulher. "A proposta é ter horizontalidade, sem decisões que venham de cima." O partido também não permitirá reeleições, pois o filiado que vier a ocupar um cargo de vereador, por exemplo, deverá se candidatar a outro cargo eletivo ao final do mandato, caso queira disputar nova eleição.
Atualmente 30 pessoas estão trabalhando diretamente na organização da Rede em Londrina, reunindo desde iniciantes na política partidária até dissidentes de outras siglas tradicionais, como PT, PV e PMDB. Os coordenadores evitam resumir a ideologia da Rede em direita ou esquerda. "O partido vem desse momento nacional, dos movimentos de junho no Brasil, dessa insatisfação popular", disse Martini, que já militou nas primeiras fileiras petistas, até chegar, segundo ele, à "desilusão".
Embora ainda não possuam filiados, pois a Rede aguarda a criação formal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido disponibiliza na página da internet uma ficha de pré-filiação, que serve como uma seleção prévia do futuro integrante. "Quem quer participar da Rede, não se intimide, mas venha com o pensamento de fazer diferente, não com a intenção de criar currais eleitorais."
Acompanhando o evento da Rede em Londrina estava o presidente local do PMDB, Sergio Bahls. Questionado se cogitava trocar de partido, ele respondeu que se tratava apenas de uma "cortesia". "Tenho simpatia pelas ideias da Rede e, como fui convidado, vim para apoiar a criação de uma nova sigla. No meu caso, nasci e pretendo me aposentar politicamente no bom MDB." O ex-vereador Tito Valle (PMDB) e o ex-secretário municipal do Meio Ambiente José Novaes Faraco (PDT) também estiveram por lá.
Segundo a coordenação da Rede em Londrina, entre as assinaturas conquistadas na cidade, está a do próprio prefeito, Alexandre Kireeff, que pertence ao PSD. A ficha de apoio não significa futura filiação, reforçou o coordenador municipal, Manoel José da Silva. (E.F.)





