Brasília - Militantes do PT que foram saudar ontem a chegada do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à cidade hostilizaram a imprensa pelo que chamaram de ''cobertura tendenciosa'' durante o processo eleitoral. Enquanto Lula comentava a vitória nas urnas diante das câmeras, em frente ao Palácio da Alvorada, os petistas gritavam em coro: ''Eu, eu, eu, a Rede Globo se f...'' Na briga para se aproximar dele, os militantes gritaram para os seguranças: ''Tira a imprensa, tira a imprensa''. Parte dos militantes era gente com cargo comissionado no governo, alguns usavam até crachá funcional.
Os petistas e funcionários públicos comissionados mais exaltados diziam ter saudade do regime militar (1964-1985). ''A ditadura matava com baionetas, a imprensa hoje mata com a língua'', afirmou um militante petista. ''Prefiro a ditadura, vamos fechar todos os jornais'', disse outro. Um repórter foi chamado de ''almofadinha'' da ''imprensa marrom'' e até foi agredido com uma bandeirada na cabeça.
Já uma petista deixou claro que não toleraria perguntas ''provocativas'' a Lula, como questões ligadas ao escândalo da tentativa de suposta compra do dossiê Vedoin por petistas para implicar políticos tucanos na máfia dos sanguessugas: ''Se perguntarem sobre dossiê, vão levar um dossiê na cara.'' Outro militante da legenda avisou: ''Nada de pergunta sobre 'mensalão'.'' Receberam vaias de repórteres que resolveram responder às agressões.
O presidente e a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, no entanto, não demonstravam ira ou rancor. Na conversa de ontem com os jornalistas, Lula não voltou a comentar os ''ataques'' da imprensa, como se refere à divulgação dos escândalos do mandato.
Em meio aos gritos dos militantes, o presidente, então, fez gesto pedindo silêncio. ''Quero dizer: olha, a gente que usou na campanha 'deixa o homem trabalhar', agora, em algum momento, tem de dizer 'deixa o homem descansar''', brincou.
O presidente atendeu a pedido do fotógrafo oficial do Planalto, Ricardo Stuckert, e posou abraçado com Marisa Letícia no gramado do Alvorada. O sol estava forte.
O presidente deixou o Alvorada no início da tarde para despachar no Palácio do Planalto. Ao chegar à garagem do palácio, 200 petistas com cargos na administração federal cantaram músicas de campanha e empunharam bandeiras. Lula e os militantes rezaram o Pai-Nosso.

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