Rio - No episódio mais tenso da campanha de rua para a Presidência da República, militantes do PT e do PSDB entraram em confronto na tarde de ontem em Campo Grande, na zona oeste da capital fluminense, e o candidato tucano José Serra foi atingido na cabeça por um rolo de papelão. O tumulto generalizado aconteceu quando Serra fazia caminhada pelo calçadão do bairro e levou comerciantes a fecharem as portas das lojas por pelo menos meia hora. Depois do incidente, Serra foi de helicóptero para um hospital em Botafogo, na zona sul da cidade, onde se submeteu a exames. Nada foi constatado.
Atingido, Serra pôs as mãos na cabeça e foi levado para a van da campanha, logo cercada pelos petistas. Com uma bolsa de gelo na cabeça, o candidato disse ter ficado ''meio grogue''. Serra acusou o PT de montar uma ''tropa de choque''. ''São profissionais da mentira e da violência'', provocou o candidato, antes de ser atingido, abrigado em uma loja de cosméticos, quando a confusão estava apenas no começo. ''Lembra a tropa e assalto dos nazistas? É tropa de choque, muito típico dos movimentos fascistas, como eles são. É gente recrutada para fazer papel de tropa de choque.'' Apesar do clima hostil, Serra voltou para a rua, o que aumentou o tumulto, porque os petistas cercaram o candidato, gritando palavras de ordens e xingamentos.
A confusão começou por volta das 13h30, quando o grupo de Serra, ciceroneado pela vereadora Lucinha (PSDB), passou por uma pequena manifestação de agentes de saúde que trabalhavam no combate à dengue e foram demitidos no governo Fernando Henrique Cardoso, quando Serra foi ministro da Saúde. Cabos eleitorais tucanos tentaram impedir que os manifestantes se aproximassem do candidato.
Rapidamente, a discussão evoluiu para o confronto físico, com cartazes rasgados e bandeiradas de todos os lados. A esta altura, um grupo de militantes do núcleo do PT de Campo Grande já tinha se juntado aos agentes, conhecidos como mata-mosquitos. Os manifestantes chamavam Serra de ''assassino'' e exibiam cartazes com inscrições como ''Cadê o Paulo Preto?'', em referência ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, que, segundo reportagem da revista IstoÉ, teria fugido com R$ 4 milhões da campanha tucana. Serra parou diante de alguns petistas e devolveu os xingamentos.
Petistas também reclamaram das agressões dos cabos eleitorais tucanos. Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Agentes de Combate às Endemias, José Ribamar de Lima disse, que viu ''ontem à noite na internet'' a informação de que Serra estaria em campanha do calçadão e, com alguns companheiros, organizou a manifestação.

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