Militante paraguaia já pensa em se candidatar
Militante paraguaia já
pensa em se candidatar
Vontade de fazer política partidária nunca faltou à paraguaia Margarita Gimenez Baez, 60 anos, uma das líderes dos 400 militantes do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) em Foz do Iguaçu. Viúva do professor Rogélio Gimenez (morto em 1990), militante do Movimento 14 de Maio, grupo guerrilheiro que fez oposição à ditadura de Alfredo Strossner nas décadas de 50 e 60, Margarita sempre usou suas convicções ideológicas para integrar a comunidade paraguaia na cidade brasileira onde seu povo foi pioneiro.
A cada eleição do outro lado da fronteira, a autônoma aposentada lidera campanhas de arrecadação para os candidatos do PLRA e não se cansa de marcar reuniões onde são discutidas a conjuntura quase sempre desanimadora da política paraguaia.
Vivendo há 39 anos no Brasil, Margarita se considera uma interessada sobre a política local. Para ela, que tem uma leve simpatia pelo Partido dos Trabalhadores: É o que tem cara de partido, os outros são só legendas), a comunidade paraguaia em Foz do Iguaçu certamente vai engrossar as baixas votações dos partidos de esquerda na cidade.
Mas o mais importante é que estas pessoas que sempre viveram a margem do processo político em seu país e nunca desfrutaram do voto em uma democracia, poderão se sentir cidadãos novamente na terra que escolheram para viver, analisa a paraguaia, que chegou a Foz com 21 anos, fugindo da repressão em Ciudad del Este.
A ativista Margarita Gimenez Baez lembra que o voto dos estrangeiros nas eleições municipais é uma conquista para quem paga impostos no Brasil, fala quase o tempo todo em português e tem filhos brasileiros. É um direito da gente, que tem tantas obrigações com o município e não podia se manifestar na hora da eleição, resume a ativista. Ela confessa que não está descartada uma candidatura a uma vaga na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu. Esta possibilidade depende apenas da aprovação a tempo pelo Congresso. (L.F.M.)





