Brasília - Depois de cinco meses de crise política, a militância petista voltou ontem às ruas de Brasília com um dos poucos discursos que resistiram ao turbilhão de denúncias envolvendo o PT e o governo. Com faixas e gritos contra o ''imperialismo'', cerca de 500 manifestantes queimaram um boneco do presidente George W. Bush, e bandeiras dos Estados Unidos e de Israel em frente à embaixada norte-americana. O cantor Alceu Valença aproveitou a deixa para fazer um show improvisado na plataforma superior da rodoviária, local de grande concentração de pessoas. O PSTU e o P-SOL também participaram do protesto ''Fora Bush''.
Com uma cartola e um casaco pretos e uma pena de pavão, Alceu Valença dançou e cantou uma música criada especialmente para a visita do presidente dos Estados Unidos. A letra ''Rala-Bush'' foi cantada por petistas e populares. ''Eu prefiro rala-bush, pois com ele me dou bem/O caubói busca a guerra/Eu brinco de fazer neném'', dizia trecho da letra. ''Bush, Bush, Bush, o que é que Bush tem? O Bush quer petróleo, não respeita o ambiente e não assina o protocolo/De Kioto minha gente.''
Um carro de som pago pela Central Única dos Trabalhadores interrompeu o show de Alceu. O cantor ficou revoltado: ''Estamos com o mesmo discurso, p...''. Depois, ele foi convencido a cantar em cima do carro. Em entrevista, o artista ficou furioso quando os repórteres insistiam para ele comentar a crise política e a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Bush. ''Isso é questão diplomática, o importante é que amanhã (hoje) participarei de uma buchada para protestar contra a visita do presidente dos Estados Unidos'', disse, depois de se acalmar. Um repórter retrucou: ''Mas o presidente não come mais buchada, só churrasco''.
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, reconheceu que a visita de Bush foi um bom negócio para entidades que estavam afastadas das ruas por causa da crise. ''Bush pratica uma política sanguinária e assassina'', afirmou. No site da CUT, uma das promotoras das manifestações, foi exibida hoje uma montagem com a foto de Bush com roupas de líder nazista.
No Rio, o protesto contra o presidente de George W. Bush terminou em confronto com policiais militares diante do prédio do Consulado norte-americano no Rio, no centro, ontem à tarde. Isolada com uma corda e protegida por PMs e seguranças privados, a representação diplomática foi alvo de pedradas e morteiros. O vidro de uma janela ficou rachado. Ninguém foi preso. Aproximadamente 400 manifestantes participaram do ato, que começou na Cinelândia. Às 17 horas, os manifestantes seguiram para o Consulado, na Rua Presidente Wilson. A via foi tomada e o trânsito teve de ser desviado. Uma bandeira dos EUA foi queimada numa fogueira.
Participaram do protesto militantes do Psol, PSTU, PDT e PCB, estudantes de escolas públicas, sindicalistas e professores em greve, além de universitários.

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