Milícia desocupa fazenda de Janene invadida pelo MST
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A crônica de acusações que ronda a carreira política do deputado federal licenciado José Janene (PP) pode ganhar mais um capítulo. Ao amanhecer, cerca de 40 seguranças armados retiraram um grupo de 30 a 40 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ocupavam a Fazenda 3J, em Tamarana, desde 14 de setembro.
Segundo o MST, a ação foi realizada sob ameaças de morte. Os integrantes do movimento teriam sido colocados em um caminhão e levados para uma cooperativa de trabalhadores rurais em Tamarana. O deputado José Janene obteve mandado de reintegração de posse da propriedade em 15 de setembro, mas não houve cumprimento por parte da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Quando a fazenda foi invadida, o MST informou que haviam 700 pessoas na área e que a ação seria ''uma forma de retomar os bens que Janene teria ajudado a desviar dos cofres públicos''.
O sem-terra Manoel Paulino, de 61 anos, disse que foi acordado às seis da manhã pela ação dos seguranças. ''Eles chegaram chutando os barracos, dando coronhadas na gente, foi um horror. Nunca vi armamentos daquele tamanho'', contou. De acordo com Paulino, a expulsão do grupo levou menos de meia hora.
O MST divulgou que um integrante do acampamento - João Batista Barbosa, de 28 anos - teria desaparecido durante a operação, mas não houve de queixa à Polícia Civil. O líder do movimento na região, José Damasceno, disse acreditar que se trata de ''execução ou sequestro''. Damasceno disse que vai prestar queixa hoje sobre o suposto desaparecimento.
No início da tarde, refeitos do susto, os sem-terra se rearticularam no pátio da cooperativa. Em rápida assembléia, o grupo decidiu retornar à propriedade para retirar seus pertences - colchões, roupas, comida, barracas, televisores, documentos, entre outros objetos. Nesse momento, a Polícia Militar deslocou um efetivo para o local.
O clima ficou tenso e houve ameaças de nova invasão da fazenda. A desconfiança de que os funcionários da fazenda estavam queimando as barracas inflamou ainda mais os ânimos.
Um tenente da Polícia Militar que liderou a negociação entre as partes, mas não se identificou para a imprensa, afirmou aos sem-terra que não seria permitida uma nova invasão da área. No meio da tarde, iniciou-se uma longa conversação entre a PM, o MST e funcionários da fazenda, visando liberar a entrada de oito sem-terra para retirada dos pertences pessoais. A negociação foi concluída no início da noite e só foram resgatados alimentos e colchões. A operação deve continuar na manhã de hoje.
Dentre as pessoas que estiveram na fazenda ontem à tarde, foram indentificados o advogado do deputado licenciado, Adolfo Góis, o juiz da 1 Vara Criminal, João Luis Cléve Machado, o assessor parlamentar, Roberto Brasiliano, e o cunhado de Janene, Meheidin Hussein Jenani.


