Miguel Reale morre aos 95 anos em São Paulo
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Das agências 
São Paulo - O corpo do jurista Miguel Reale, 95 anos, foi enterrado por volta das 16h de ontem no Cemitério São Paulo, na zona oeste de São Paulo o velório foi realizado na casa da família. Reale morreu de madrugada, após sofrer um enfarte em sua residência, na região dos Jardins, na zona sul da cidade.
Paulista de São Bento da Sapucaí (SP), Miguel Reale nasceu no dia 6 de novembro de 1910. Conhecido como o ''pai'' do novo Código Civil brasileiro, foi secretário de Justiça de São Paulo por duas vezes nos anos 40 e 60 e também reitor da USP (Universidade de São Paulo) em 1949 e 1969.
Formado em Direito pela USP, escreveu a tese Fundamentos do Direito (1940), lançando as bases de sua ''Teoria Tridimensional do Direito'', que se tornaria mundialmente conhecida. Atualmente, era doutor honoris causa de 15 universidades no Brasil e no exterior, onde recebeu variados prêmios e condecorações.
Reale também teve atuação destacada na área da Filosofia. Em 1954, fundou a Sociedade Interamericana de Filosofia, da qual já foi duas vezes presidente. Também presidiu, foi secretário ou relator, entre outros cargos, de diversos Congressos Internacionais de Filosofia ao redor do mundo.
Como escritor, publicou mais de 60 obras, sobre Filosofia, Filosofia Jurídica, Teoria Geral do Direito, monografias e estudos sobre Direito Público e Privado e poesia. Reale era membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) desde janeiro de 1975, ocupando a cadeira de número 14, cujo patrono é Franklin Távora.
Miguel Reale era pai do também advogado Miguel Reale Júnior, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso.
Políticos e personalidades do mundo jurídico renderam suas últimas homenagens ao jurista e mestre Miguel Reale, destacando sua importância ímpar na história do pensamento jurídico e filosófico. ''O advogado, professor, escritor e jurisconsulto Miguel Reale entra para a História do Direito brasileiro como um de seus luminares. Honrou e marcou a advocacia brasileira como bem poucos, tornando-se referência de saber jurídico e de conduta moral, ao longo de mais de sete décadas de intensa atuação profissional'', disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato.
Para o ministro César Pelluzzo, do Supremo Tribunal Federal (STF), Reale é o maior jurista brasileiro de todos os tempos, uma referência internacional por sua obra e pensamento. ''Reale era um homem de cultura extrema, um dos poucos filósofos e juristas do Brasil conhecidos no mundo. Sua morte representa uma perda significativa para o mundo jurídico'', afirmou Pelluzzo.
A Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto divulgou nota oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentando de Miguel Reale. ''A perda do professor Miguel Reale entristece todos nós. Sua grande contribuição ao pensamento filosófico, à educação, ao saber jurídico e sua especial participação na construção do novo Código Civil brasileiro permanecerão vivas na memória da Nação'', disse o presidente Lula, na nota.


