Michel Temer propõe volta da inflação
Michel Temer propõe volta da inflação
Medida, conforme presidente da Câmara e criticada por aliados, possibilitaria investimentos na área social
Agência Folha
Arquivo FolhaMotivoTemer: A crítica que fazemos é que o social não está aparecendoO presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), defendeu ontem a volta da inflação, em índices controlados pelo governo, desde que isso permita investimentos na área social. Ele afirmou que o maior problema para o candidato Fernando Henrique Cardoso está na área social. A crítica que fazemos é que o social não está aparecendo. Valeria a pena pensar muito no social, mesmo que voltasse minimamente a inflação, afirmou Michel Temer.
A proposta foi criticada por líderes de partidos aliados. Não vamos agir de forma inconsequente, achando que podemos deixar a inflação subir um ou dois pontos sem saber se depois vamos conseguir controlá-la, respondeu o líder do PSDB, Aécio Neves (MG). Segundo Aécio, o presidente não está disposto a fazer isso. O tucano e o líder do PTB, Paulo Heslander (MG), afirmaram que o maior investimento social do governo é o controle da inflação. A inflação é a maior perversidade social, disse Heslander. Para Aécio, o controle da inflação protege a população que vive com salários mais baixos.
O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), concordou: A maior conquista de todos os tempos foi a estabilidade econômica. Com o controle da inflação, estamos protegendo o valor da cesta básica. O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, também criticou a proposta de Temer. Não vejo razão para haver um nível inflacionário. Priorizar obras na área social não significa, necessariamente, aumentar a inflação, disse.
Temer afirmou que o presidente deveria assumir a posição de candidato e defender as questões sociais. Ele (FHC) deve se comportar como presidente e candidato. Os seus gestos, embora ainda não autorizados como candidato, devem guiar-se como se candidato fosse, afirmou Temer. Apesar de defenderem a política econômica e criticarem Temer, aliados cobram uma atuação maior do governo no campo social. O governo precisa mostrar uma face mais humana. A população precisa de esperança e não está havendo esperança nesse governo, afirmou Heslander. Para Aécio, FHC deveria ter investido mais em obras sociais. Na área social, falta ainda fazer alguma coisa. Fizemos muito na educação. O que não foi feito agora ficará para o segundo mandato, disse Aécio.





