Michel Temer nega destaque da oposição
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaMichel Temer: acordo para apreciar apenas os destaques novosMesmo que a base governista não consiga manter hoje o dispositivo da reforma administrativa que permite a demissão de funcionários por excesso de quadros, os líderes aliados já comemoram uma vitória. O governo conseguiu, pela decisão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não submeter à votação o destaque do bloco de oposição destinado a excluir da reforma a disponibilidade proporcional por tempo de serviço.
Se não formos vitoriosos amanhã, pelo menos não será o fim do mundo, avaliou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Com a decisão de Temer, a disponibilidade proporcional certamente constará do texto da reforma que a Câmara enviará ao Senado, provavelmente na próxima semana.
Para não aceitar o recurso da oposição, Temer alegou que um destaque semelhante já fora apreciado durante o primeiro turno de votação da reforma e que um acordo feito entre os líderes de todos os partidos prevê a votação, no segundo turno, apenas de destaques novos. O líder do PCdoB, Aldo Arantes (GO), protestou contra a decisão de Temer, considerando-a um perigoso precedente, uma vez que o cancelamento do destaque não teria amparo regimental. O deputado Marcelo Deda (PT-SE) acrescentou que o bloco de oposição estava disposto a retirar o destaque, se convencido, para cumprir o acordo.
O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), saiu em defesa de Temer lembrando que o acordo foi feito entre os líderes no gabinete do presidente da Casa. Vossa Excelência fez cumprir o acordo, disse Magalhães. O presidente da Câmara reagiu com irritação às críticas da oposição. A partir de agora, quando quiserem fazer acordo, façam-no por conta própria, afirmou Temer. Quando fizerem um acordo com minha presença, eu o cumprirei, concluiu.
Os líderes da base governistas decidiram que deve ser dada prioridade absoluta para aprovação final da reforma administrativa. A decisão foi tomada na reunião-almoço, realizada na casa do ministro das Comunicações, Sérgio Motta (PSDB). Participaram também, além do próprio Motta, os ministros de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, Íris Rezende - todos do PMDB, além dos líderes do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), do PSDB, Aécio Neves (MG), do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), e do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), e o relator da proposta de reforma administrativa, Moreira Franco (PMDB-RJ).A gravidade da crise é grande, os fatos se impõem: ou se faz a reforma ou temos que sofrer a crise, afirmou, após o encontro, Luiz Carlos Santos.


