Representantes dos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul afirmaram ontem durante encontro em Porto Alegre que ‘‘não temem o confronto’’ com o governo federal e que não recuarão da ‘‘determinação’’ de renegociar suas dívidas. Essas posições foram defendidas pelo governador gaúcho, Olívio Dutra (PT), e pelos emissários mineiros, Aureliano Chaves e José Aparecido de Oliveira, enviados a Porto Alegre pelo governador Itamar Franco (PMDB). Itamar, que depois confirmou presença na capital gaúcha, participou da conversa por telefone, o que também fez o presidente nacional do PT, José Dirceu. Aureliano Chaves, ex-vice-presidente de João Figueiredo (79/85), disse que o termo ‘‘confronto’’, proferido por ele em entrevista depois da reunião, é ‘‘para ser tomada no exato sentido da palavra’’.
Chaves disse que FHC ‘‘escolheu não o caminho do bom senso, mas o caminho da falta de senso em relação à reivindicação dos Estados. Para o emissário de Itamar, as divergências entre União e Estados podem desencadear uma crise institucional, cuja dimensão ele não quis avaliar. Ele declarou que os Estados que contestam as dívidas - entre os quais se inclui o Rio - ‘‘buscam o diálogo, o entendimento’’, mas ‘‘não temem o confronto’’.
‘‘A retaliação (suspensão de repasse de verbas federais e internacionais) não pode continuar. Se continuar, necessariamente os Estados retaliados têm o direito, e até o dever, na defesa dos cidadãos, de se postar de maneira firme e clara contra esse processo’’. Olívio e Chaves confirmaram a realização da reunião de governadores marcada para amanhã, na capital gaúcha. ‘‘Nossa determinação é fundamental e dela não recuamos. A dívida tem de ser repactuada’’, disse Olívio.

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