México e excesso de temas podem atrapalhar
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
André Soliani Agência Folha De Brasília 
O excesso de temas na agenda e a presença de um representante do México podem minar a idéia original da Reunião dos Presidentes da América do Sul: criar um espaço integrado e uma identidade sul-americana. A opinião é de autoridades do governo brasileiro e de funcionários de organismos internacionais que acompanham atentos a evolução do evento. Eles pediram para não ser identificados.
Ninguém discute a importância da iniciativa brasileira. Foi uma idéia do presidente Fernando Henrique Cardoso convocar seus 11 colegas. Pela primeira vez na história, os 12 presidentes sul-americanos estão reunidos, em Brasília. Vão assinar um compromisso para transformar a realidade da América do Sul. E o Brasil, segundo a edição de ontem do New York Times, começará a ter um papel no cenário mundial.
A integração regional, objetivo final do encontro, é necessária para uma inserção menos submissa do Brasil e seus vizinhos na globalização e nas negociações com os Estados Unidos. A união também traria mais riqueza, pois aumentaria os fluxos de comércio, a partir da integração física.
O medo dos críticos é que o encontro se resuma a um evento político recheado de retórica. No final haveria um declaração de intenções, a Carta de Brasília, e uma bela foto, na qual FHC posaria como o pai da integração sul-americana, rodeado pelos seus pares. Depois, os projetos seriam esquecidos por causa de diferenças de interesses entre os países, que até agora não foram abordadas.
Uma das críticas é com respeito à presença de Jorge Castãeda, provável ministro das Relações Exteriores do governo eleito do México. O Brasil tentou evitar a vinda do parceiro, mas acabou cedendo por pressões do próprio México e de alguns países sul-americanos.
Para os críticos, a participação de Castãeda como observador quebra a idéia de uma identidade sul-americana. O México, como é óbvio, não está na América do Sul. Sua participação também demonstraria a dificuldade brasileira em liderar a região. Os analistas afirmam que o Brasil tem de estar disposto a assumir a liderança, o que significa contrariar alguns interesses, para tornar possível a integração do subcontinente sul-americano.


