‘‘Meu filho, meu filho’’, dizia o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ontem, enquanto acariciava o rosto de Luís Eduardo Magalhães, durante o velório no Salão Negro do Congresso Nacional. O presidente do Senado estava inconsolável. Ficou ao lado do filho durante quatro das nove horas que durou o velório em Brasília. Em Salvador, onde o corpo foi velado na Assembléia Legislativa e sepultado, no início da noite, no cemitério do Campo Santo, ACM não saiu do seu lado. O estado de saúde de ACM foi motivo de preocupações. ‘‘O senador não vai resistir’’, disse o senador José Sarney (PMDB-AP), ainda no hospital, ao saber da morte de Luís Eduardo.
Com 70 anos e muito emocionado, ACM teve uma crise de hipertensão quando soube da morte do filho. O médico chamado para atender Luís Eduardo, o cardiologista Bernardino Tranchesi Júnior, acompanhou o senador durante toda a manhã no velório. Ele embarcou no Boeing presidencial junto com ACM para Salvador.
Durante a madrugada, de 1h até as 3h, ACM ficou de pé por meia hora e sentado o resto do tempo, recebendo os cumprimentos dos amigos e políticos, sempre chorando muito. Quando voltou ao velório de manhã, às 8h15, não saiu mais do lado do caixão de Luís Eduardo, até a hora de ser levado para a Base Aérea, às 10h15.
ACM chegou a ‘‘conversar’’ com o filho, em voz baixa. Passava a mão no rosto de Luís Eduardo e mandava beijos, alternando os momentos de carinho com os de choro.
O tempo todo ACM era interrompido por pessoas que queriam cumprimentá-lo. Aceitava os cumprimentos rapidamente e logo se voltava para o filho. Dos amigos mais próximos, aceitava as manifestações mais longas. O presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, e sua mulher, Lily de Carvalho Marinho, estavam emocionados. ACM e Marinho se abraçaram e choraram juntos olhando para o caixão.
Algumas condolências abalaram ACM. O ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, abraçou longamente o senador. Ambos choraram muito e Krause saiu sem conseguir falar uma palavra. Pouco antes de o velório terminar, chegaram o embaixador do Brasil nos EUA, Paulo Tarso Flecha de Lima, e sua mulher, Lúcia. Paulo Tarso levantou da cadeira de rodas para cumprimentar o amigo. Chorando muito, abraçou ACM e falou algumas palavras no seu ouvido. O embaixador ficou apenas alguns segundos de pé, pois está se recuperando de um derrame cerebral e precisa do apoio da cadeira.
ACM chorou mais ainda. A embaixatriz Lúcia abraçou-o, enxugou suas lágrimas e ficou mais alguns minutos ao seu lado. O casal Flecha de Lima embarcou junto com ACM para Salvador, na ala do avião reservada para a família Magalhães.
A mulher de Luís Eduardo, Michelle, ficou sentada ao lado do sogro, do cunhado, Antonio Carlos Magalhães Júnior, e do primo do marido, Paulo Magalhães. De óculos escuros e conjunto de crepe bege, só levantou-se para acompanhar o translado do corpo.
A segurança do Congresso, reforçada, organizou os cumprimentos: do lado esquerdo, as autoridades tinham passagem livre para se despedir do deputado e cumprimentar a família. Do lado direito, foi formada uma fila para os populares, basicamente funcionários e ex-funcionários do Congresso. Nem todos conseguiram ver de perto o caixão. Os que tentaram cumprimentar ACM receberam pouco mais que um aperto de mão do senador.
O ex-presidente da República e senador José Sarney (PMDB-AM) repetia para todos que lhe perguntavam que sentia como se tivesse perdido um filho. Com os olhos cheios de lágrimas, recusou-se a fazer prognósticos políticos. O vice-presidente Marco Maciel reconfortou o amigo por duas vezes: uma durante a madrugada e outra pela manhã. No encontro da manhã, ACM debruçou sobre o ombro de Maciel e chorou.
O impacto da morte de Luís Eduardo sobre ACM, para quem o filho era também a encarnação de seu projeto político, é incerto. A opinião predominante é que ACM terá dificuldade para se recuperar do baque. ‘‘ACM morreu um pouco com a morte do filho’’, disse o senador Epitácio Cafeteira (PPB-MA). O velório de Luís Eduardo levou mais de mil pessoas ao Salão Negro. Na saída do caixão, às 10h15, houve aplausos dos presentes.
Irmão Irmão do senador Antonio Carlos Magalhães e secretário estadual da Saúde da Bahia, José Maria de Magalhães Neto, 72, foi internado ontem à tarde na unidade de terapia semi-intensiva do Hospital Aliança. Segundo boletim médico divulgado às 17h, Magalhães Neto teve um mal-estar associado à lipotimia (vertigem). O boletim médico informou também que o estado de saúde do irmão de ACM é estável. Os médicos do Aliança informaram ainda que Magalhães Neto deverá ficar internado no hospital pelo menos um dia.
José Maria de Magalhães Neto começou a sentir-se mal às 14h, uma hora depois da chegada do corpo do seu sobrinho Luís Eduardo à capital baiana. (AF)

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