Metas de inflação são o próximo debate
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sábado, 01 de maio de 2004
Sheila D'Amorim<br> Agência Estado 
Brasília - Se a ala ''desenvolvimentista'' do governo, na qual está o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, perdeu a batalha por um salário mínimo maior, ela ainda tem esperança de convencer a turma ''monetarista'' de Antonio Palocci em outro front: o aumento da meta de inflação para o ano que vem, de 4,5% para 5,5%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o árbitro dessa discussão e dará o apito final. Mas os jogadores dos dois lados já estão em campo. Deverá sair vencedor quem conseguir provar ao presidente Lula que sua proposta gerará mais crescimento econômico. Essa é a fixação dele, asseguram assessores próximos.
O jogo tem data para terminar: a última semana de junho, quando por determinação legal o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá se reunir para fixar a meta de 2006 e, na ocasião, poderá mudar a de 2005.
Do lado ''desenvolvimentista'', o líder do governo no Senado Federal, Aloizio Mercadante (PT-SP), deu a largada no debate propondo elevar para 5,5% a meta de 2005 e manter o mesmo valor para 2006, numa jogada ensaiada com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, segundo garantem fontes da própria base do governo.
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, nega que o assunto esteja na pauta, mas, nos bastidores, avalia as repercussões das declarações de Mercadante no mercado financeiro. No contra-ataque ''monetarista'', coube ao secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, fazer esse alerta há duas semanas. Segundo ele, a elevação da meta pode se tornar ''um atalho'' para que os juros não caiam. ''Existe a possibilidade de se aumentar a meta, a inflação acelerar e os juros nominais não caírem'', destacou. O risco é como os agentes econômicos interpretarão a mudança e o que isso representará nas expectativas de inflação futura.
Em uma reunião com ministros da área econômica e lideranças da base aliada no Congresso Nacional, há duas semanas, Lula teria dito a Palocci, segundo relato de um dos presentes, que não dá mais para o Brasil ''conviver com juros altos e superávit primário elevado''. Ao mesmo tempo, ficou claro para os participantes que a manutenção do equilíbrio das contas públicas é um ponto que o presidente não está disposto a abrir mão e que tem funcionado como uma âncora que garante credibilidade ao governo.
''O presidente cobrou uma solução para poder baixar os juros'', conta um dos presentes à reunião. ''Aí Mercadante falou sobre sua proposta de elevar a meta de inflação para 2005'', completa. A princípio os participantes ficaram a favor da idéia, mas Palocci não se manifestou nem houve nenhuma decisão sobre o assunto. ''O tema ficou em aberto.''


