Nove dos 18 vereadores de Londrina que tomaram posse em janeiro de 2005, pela 14ª  Legislatura, já são oficialmente réus na ação de formação de quadrilha ingressada pelo Ministério Público (MP) em 16 de janeiro e cujo pedido de aditamento, feito à Justiça na última sexta, foi deferido ontem. Agora, além de Henrique Barros (sem partido), Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP), o processo também passa a ser respondido pelo presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB), o corregedor, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT), e Jamil Janene (PMDB). O despacho em que o aditamento foi aceito é assinado pelo juiz substituto da 3ª Vara Criminal, Marcos José Vieira, que já designou 1º de agosto para depoimento dos quatro.
  A denúncia criminal fora proposta pelo MP, inicialmente, seis dias depois da prisão em flagrante de Barros com R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina – como ele próprio admitira, no dia, em depoimento no inquérito policial instaurado. Na ocasião, delatou Bonilha como suposto centralizador do esquema de cobrança de propina da qual três empresários se disseram vítimas e apontou Vedoato, Bergamin e Araújo como demais participantes do grupo, o que todos negaram. Passadas duas prisões e uma cassação, Bonilha depôs ao MP na condição de colaborador, a fim de obter os benefícios da delação premiada, e entregou os demais que também participariam da suposta quadrilha.
  O juiz que aditou ontem a denúncia é o mesmo que ouviu Bonilha semana passada na segunda audiência de acusação contra os cinco primeiros parlamentares. Na ocasião, ele negou participação no caso referente à prisão de Barros, mas sustentou que haveria, de fato, uma quadrilha instalada no Legislativo para arrecadar recursos provenientes de propina. Com base nesse depoimento, o MP pediu aditamento da denúncia aceita ontem.
  Souza, Gláudio e Jamil informaram, por meio da assessoria de imprensa da Câmara, que não se manifestariam – a exemplo de sexta-feira, quando souberam da inclusão de seus nomes no processo. Na sessão de ontem, também evitaram os repórteres. Já Tamarozzi, que não compareceu ao Legislativo, não atendeu as ligações da reportagem e não foi localizado pela assessoria da Casa.
  Caso Caldarelli – Apesar de a única manifestação da Justiça ter sido ontem a da 3ª Vara Criminal, a expectativa durante todo o dia ficou sobre o pedido de afastamento dos mesmos vereadores na ação civil pública que tramita na 1ª Vara Cível. O processo, referente ao suposto pagamento de R$ 38 mil aos nove vereadores pelo empresário Marcelo Caldarelli para regulamentar a doação de uma área às margens do Igapó – medida revertida meses depois pela Justiça –, deve receber hoje de manhã manifestação do juiz Mauro Ticianelli. Em função do aumento de dois para seis volumes de análise, mais as cinco audiências da tarde de ontem, o juiz analisaria o caso no fim da tarde e à noite.

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