Meta é tornar o Paraná o estado mais inovador do Brasil até 2030
Afirmação é do ex-secretário de Inovação e Inteligência Artificial Alex Canziani, que priorizou a busca por soluções de IA e o incentivo a startups
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Afirmação é do ex-secretário de Inovação e Inteligência Artificial Alex Canziani, que priorizou a busca por soluções de IA e o incentivo a startups

Curitiba - O Paraná vem trabalhando para se tornar o estado mais inovador do Brasil até 2030, diz o ex-secretário estadual de Inovação e Inteligência Artificial Alex Canziani, que deixou o governo de Ratinho Júnior (PSD) no início de abril para concorrer nas eleições de outubro. Nomeado em junho de 2024, Canziani priorizou a disseminação de uma cultura da inovação nos municípios, a busca por soluções de IA e o incentivo a startups.
“O IBID (Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento) colocou o Paraná em terceiro lugar no ano passado. Era o sexto em 2020. Estamos trabalhando com o Sebrae e com várias áreas de governo para que o Paraná passe Santa Catarina e seja o segundo mais inovador do Brasil até o fim do ano”, disse o ex-secretário à FOLHA (São Paulo é o primeiro no ranking). “A meta até 2030 é ser o estado mais inovador do Brasil. Por essa metodologia internacional, o Brasil é o 54º no mundo.”
Para Canziani, o poder público tem papéis fundamentais neste processo, do planejamento ao incentivo a municípios e órgãos públicos. “Tem 84 indicadores que avaliam empréstimos para as empresas buscarem a inovação, o número de doutores no estado, o número de startups. Em alguns deles, notamos que as informações estavam incompletas. O estado atua e começa a ver o que é mais relevante. Tem casos em que buscamos maiores informações, em que BRDE trabalha conosco.”
Na ponta, a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia) costurou o Pacto Pela Inovação, que resultou no repasse de R$ 55 milhões para 48 cidades que desenvolveram seus projetos próprios de inovação. Os municípios precisaram criar uma legislação específica, um conselho municipal e um fundo de Ciência e Tecnologia e Inovação.
“Quanto menor a cidade, maior foi o apoio, para fortalecer esse ecossistema em todo o estado. Os municípios que tinham as maiores populações receberam menos recursos, porque recursos para os municípios menores geram mais impacto do que nas grandes cidades. Grandes Rios, no Vale do Ivaí, recebeu R$ 1,3 milhão. A ideia era dar um choque nessas cidades menores”, afirmou Canziani.
Segundo o ex-secretário, atualmente a Seia estuda desenvolver uma IA soberana para o estado. “A secretaria está trabalhando em uma possível IA soberana, que seria do estado do Paraná. Tem um grupo estudando isso, para criar uma IA que pudesse ser utilizada pelo governo e pelos municípios.”
CELEPAR
Alex Canziani disse ainda acreditar na privatização da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná). Marcado para o dia 17 de abril, na B3, em São Paulo, o leilão foi suspenso em setembro pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dino é relator da Ação Direita de Inconstitucionalidade (ADI) movida contra a lei que autorizou a desestatização. No início de março, o ministro Cristiano Zanin pediu vista e a privatização segue suspensa.
“Estamos esperando o Supremo levar para o plenário para o leilão na B3 ser liberado. O governo continua com firme convicção na desestatização. Vamos transformar a Celepar em uma empresa enorme, vamos antecipar o que vai acontecer com as outras (estatais). A Celepar terá mais capacidade de investimento e de trazer melhores tecnologias. Passando para a iniciativa privada, ela se tornará um grande player internacional e poderá atender o estado com melhores produtos.”
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Críticos da privatização argumentam que a venda da estatal deixará o estado dependente da uma empresa privada – só até o fim do ano passado, o governo tinha R$ 2,4 bilhões em contratos com a Celepar. “O estado poderá comprar de outras empresas. E hoje, com IA, há uma facilidade grande e uma grande rapidez para desenvolver soluções. Os contratos serão cumpridos, mas, a partir do seu vencimento, os serviços serão licitados”, afirmou o ex-secretário.
Deputado federal por cinco mandatos, Alex Canziani se prepara para concorrer a deputado estadual pelo Avante – a filha dele, Luísa Canziani, é deputada federal pelo União Brasil e deverá tentar a reeleição. Também foi vereador em Londrina, vice-prefeito, candidato a prefeito e secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho.
Canziani diz acreditar que Ratinho Junior (PSD) conseguirá manter sua base de apoio para impulsionar a candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) ao governo. “(Sandro Alex) foi uma novidade. Vamos ver como as pesquisas vão reagir, ele teve uma participação atuante quando era secretário (da Infraestrutura e Logística). Acho que o fato de ligar ele ao governador vai impulsionar a candidatura. A partir de agora, as pessoas começarão a identificá-lo como candidato ao governo, e é uma gestão muito bem avaliada.”


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





