Meta é dobrar comércio com árabes em 3 anos
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segunda-feira, 09 de maio de 2005
José Ramos e<br>James Allen<br> Agência Estado 
Brasília - O Brasil pode praticamente dobrar o comércio com os países árabes nos próximos três anos, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ontem, na abertura do Seminário Empresarial da Cúpula América do Sul e Países Árabes, ele previu que a soma das importações e exportações do Brasil com os árabes deve subir dos atuais US$ 8 bilhões para US$ 15 bilhões sem grande esforço, desde que haja disposição dos empresários dos dois lados.
Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antônio Sarkis Jr., a meta é mesmo factível. Ele acredita que as exportações do Brasil para a região podem passar de US$ 4 bilhões para US$ 7 bilhões até 2007. Sarkis disse que o crescimento das vendas brasileiras este ano estava projetado em 13%, mas já atingiu 18%.
As principais oportunidades de exportação, segundo Furlan, estão nas áreas de turismo e engenharia, incluindo equipamentos e projetos. Ele anunciou para breve a criação de rotas aéreas entre as duas regiões. Sarkis completou a lista de vendas com máquinas agrícolas, veículos, vestuário, calçados, móveis e equipamentos médico-hospitalares. E explicou que o potencial de comércio é muito grande, pois os árabes importam US$ 240 bilhões anuais de todo o mundo.
O empresário também acha possível o Brasil aumentar as importações, para manter o equilíbrio comercial. Hoje petróleo e derivados dominam as importações brasileiras da região. Mas Sarkis avalia que, quando o Brasil for auto-suficiente na produção de petróleo, pode compensar a redução dessas compras com o aumento de outras, como alimentos e fosfato para fertilizantes, por exemplo.
Secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes antecipou que vai reunir-se com autoridades argelinas porque a Argélia é um dos países para o qual o Brasil tem especial interesse em aumentar as vendas. Ele informou que as exportações vêm crescendo desde 2003, mas ainda há forte desequilíbrio na balança comercial em favor da Argélia.
O Iraque, segundo Fortes, também tem interesse em restabelecer relações comerciais com o Brasil, especialmente nas áreas de construção, da Petrobras e da Embrapa. Ele discordou da avaliação de jornalistas, de que o seminário foi frustrante por ter menos empresários do que se esperava.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Abdul Rahman Bin Hamad, disse que espera para os próximos dias, ainda na cúpula, a assinatura de acordos comerciais entre os países de sua região e os do Mercosul. Para ele, o relacionamento econômico entre as duas regiões não reflete as oportunidades existentes. ''Por isso é bom o estabelecimento de programas comuns.'' Hamad observou que os países do Golfo já têm forte relacionamento com os países desenvolvidos e agora buscam aproximar-se dos países do Sul.
O ministro do Petróleo da Argélia, Hachemi Djaaboub, incentivou os empresários do Mercosul a investirem. ''Os países árabes oferecem oportunidade de mão-de-obra, competitividade e empreendedores ativos'', disse Djaaboub, que representa o Conselho Econômico e Social da Liga Árabe. Mas Sarkis previu que investimentos só serão intensificados após o fortalecimento do comércio, quando os empresários adquirirem maior confiança nos parceiros.


