"A Previdência vai quebrar se a reforma não for aprovada", insiste em seus discursos Michel Temer que, além de Goiás, participou de programas do SBT
"A Previdência vai quebrar se a reforma não for aprovada", insiste em seus discursos Michel Temer que, além de Goiás, participou de programas do SBT | Foto: Beto Barata/PR



Rio Verde (GO) - O presidente Michel Temer afirmou nessa terça-feira (30) que é "muito provável" que o país cumpra a meta do teto de gastos públicos antes de 2026. Em anúncio de créditos a produtores rurais, ele avaliou que tem havido uma "redução sensível" do deficit público e lembrou do resultado do ano passado.

Segundo o Tesouro Nacional, as contas do governo fecharam com um deficit primário de R$ 124,4 bilhões, resultado negativo R$ 34,6 bilhões abaixo da meta para o ano, de R$ 159 bilhões.

"Neste ano, embora houvesse uma previsão de deficit de R$ 159 bilhões, nós ficamos em R$ 124,4 bilhões. Ou seja, houve uma redução sensível do deficit. Então, é muito provável que muito antes dos dez anos previstos nós conseguimos equacionar", disse.

A estimativa inicial do Palácio do Planalto é de que, em 2026, seria economizado o equivalente a quase 3% do PIB para pagar juros e reduzir o endividamento. A marca é considerada, por economistas e analistas, difícil de ser alcançada.

Na saída do evento, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) lembrou que para ser cumprido o teto de gastos é importante que seja aprovada a reforma previdenciária, que enfrenta dificuldades para ser votada neste ano na Câmara dos Deputados.

"A aprovação da reforma previdenciária é fundamental para isso [cumprir o teto de gastos]", disse.

Para ele, respeitando o teto de gastos e com um crescimento econômico, é possível que antes de dez anos o tamanho da máquina pública chegue a 15% do PIB. Hoje, o setor público representa cerca de 19% do PIB.

No evento, o ministro reconheceu que, se for necessário, será anunciado um contingenciamento neste ano, mas ponderou que ainda não está definida a necessidade.

"Nós estamos ainda fazendo os cálculos, levando em conta diversos fatores que são importantes, como a reoneração da folha e questões de subsídios", disse.

PREVIDÊNCIA
Em discurso, o presidente ressaltou ainda esperar que a reforma previdenciária seja votada "muito proximamente".

A expectativa é de que ela seja retomada a partir de 19 de fevereiro, mas o Palácio do Planalto reconhece a possibilidade de que a votação fique apenas para março.

No evento, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) disse que a renda do produtor rural tem caído nos últimos anos, apesar do aumento na produtividade.

Ele se posicionou contra proposta que tramita no Congresso Federal de suspensão da Lei Kandir, que criaria uma taxação adicional ao setor agrícola.

"A continuar no ritmo que estamos, muito provavelmente haverá em dois ou três anos uma situação de não renda na agricultura", disse.

NO RATINHO
Com a entrevista ao apresentador Ratinho (SBT) exibida na noite de segunda (29), o presidente Michel Temer completou três dias seguidos de aparições em programas populares de TV para defender sua gestão. No domingo (28), o mesmo SBT levou ao ar uma conversa de Temer com Silvio Santos. No sábado (27), o presidente marcou presença no programa de Amaury Jr. (Band). Nas três ocasiões, Temer tratou sobretudo da reforma da Previdência em tramitação no Congresso. "A Previdência vai quebrar se a reforma não for aprovada", disse o presidente.

MEIRELLES
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não disputará a eleição para outro cargo público em 2018 que não seja o de presidente da República, mas ratificou ainda não ter decidido sobre essa questão. "Minha ideia é decidir no final de março, começo de abril se serei candidato."

Filiado ao PSD e apontado como um dos possíveis nomes do centro para a sucessão de Michel Temer (MDB), Meirelles fez um discurso de pré-candidato em evento de lançamento de linhas de pré-custeio para a safra 2018/2019 do Banco do Brasil, em Rio Verde (GO), com a defesa dos avanços econômicos obtidos durante o período em que está no cargo. Ele disse que o discurso foi "em defesa das reformas", negou o teor político da fala e afirmou, em entrevista, que a ideia é permanecer no governo até o final de 2018 caso não seja candidato. (Colaborou Gustavo Porto/Agência Estado)

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