Meta diz que faz tratamento igualitário a Lula e Flávio
Proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp afirma que cumpriu ordens do TSE para garantiu igualdade aos dois candidatos à Presidência
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp afirma que cumpriu ordens do TSE para garantiu igualdade aos dois candidatos à Presidência
Lucia Lacurcia - France Presse 

Rio de Janeiro - A Meta afirmou, nesta terça-feira (20), que cumpriu as ordens do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para garantir um tratamento igualitário, em suas plataformas, às campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a cinco dias do segundo turno da eleição presidencial.
A empresa americana, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, tem sido alvo de denúncias por parte do campo do presidente Lula por supostamente favorecer a campanha de seu adversário.
Embora a Meta tenha rejeitado tomar partido nas eleições, admitiu falhas, como a desativação por engano de anúncios da campanha de Lula, que atribuiu a "incidentes" técnicos que não afetaram apenas o Brasil.
Na segunda-feira, o TSE deu à empresa americana um prazo de 24 horas para comprovar o cumprimento do tratamento igualitário entre Lula e Flávio Bolsonaro, após considerar que ela não havia tomado as providências exigidas na semana passada.
Do contrário, estaria sob pena de multa diária de cerca de um milhão de reais.
"Concluímos a implementação das medidas para atender à determinação do Tribunal Superior Eleitoral", informou a Meta em um comunicado.
A companhia defendeu novamente que "os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória", segundo o documento publicado pelo portal de notícias Poder360.
Lula, de quase 81 anos, busca um quarto mandato diante do senador de direita, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). As pesquisas mais recentes apontam um empate técnico no segundo turno.
Após ficar atrás no primeiro turno por quase dois pontos percentuais (47%–45%), a campanha de Lula acusou a Meta de "interferência" nas eleições por restringir o alcance de seus conteúdos no Instagram e no WhatsApp.
Também denunciou que a ferramenta de inteligência artificial do WhatsApp se recusava a gerar conteúdo eleitoral sobre Lula, mas não sobre seu adversário.
'META NÃO, SE META!'
Entre as medidas adotadas, a Meta afirmou nesta terça-feira que apenas os candidatos e partidos registrados na Justiça Eleitoral poderiam fazer anúncios em suas redes.
A empresa informou, ainda, que retirou de circulação 720 publicações com conteúdo gerado por inteligência artificial sem a devida identificação.
Também insistiu que sua ferramenta de IA aplica o mesmo critério aos dois candidatos, atendendo ou negando os pedidos.
Dezenas de apoiadores de Lula protestaram na segunda-feira em frente à sede da Meta em São Paulo, com lemas como "Meta, não se meta" na eleição no Brasil, além de palavras de ordem contra seu diretor executivo, Mark Zuckerberg, e contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Comitê de Supervisão da empresa, que verifica de forma independente as plataformas do grupo, afirmou nesta terça-feira que constatou "falhas recorrentes" na moderação do grupo em conteúdos ligados às eleições presidenciais no Brasil e às legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
O órgão, sediado em Londres, advertiu em comunicado que está preocupado com "as falhas recorrentes nos esforços da Meta para garantir a integridade eleitoral".
Lula afirmou durante a campanha que o governo americano tenta interferir nas eleições a favor de Flávio Bolsonaro, cujo pai, preso por tentativa de golpe de Estado, é aliado de Trump.
Sem manifestar apoio direto, o presidente dos Estados Unidos comemorou a "grande vitória" de Flávio Bolsonaro no dia seguinte ao primeiro turno.
AÇÃO CONTRA CANDIDATURA DE FLÁVIO
A campanha de Lula deve pedir, nesta terça-feira, à Justiça Eleitoral que anule a candidatura de Flávio Bolsonaro devido a uma suposta "interferência" da Meta no segundo turno do próximo domingo (25), informou à AFP uma fonte da equipe de Lula.
A gigante tecnológica americana, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, é alvo de denúncias por parte da campanha de Lula sob a alegação de que teria favorecido o senador conservador em suas plataformas.
Embora a Meta afirme que as acusações de ter tomado partido são "falsas", a empresa admitiu falhas, como a desativação de anúncios de Lula, atribuindo o ocorrido a "problemas técnicos" que não teriam afetado apenas o Brasil.
A equipe do presidente apresentará ao Tribunal Superior Eleitoral um recurso por suposta "manipulação algorítmica" da Meta, que inclui um pedido de anulação da candidatura de Flávio Bolsonaro, segundo a fonte.
A informação foi revelada primeiramente pelo jornal Folha de S. Paulo.
A Meta e os advogados de ambas as campanhas se reunirão nesta terça-feira no TSE, informou uma fonte do tribunal à AFP.
Lula, de quase 81 anos, busca um quarto mandato não consecutivo contra seu rival de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
As pesquisas mostram um empate técnico entre eles, após um primeiro turno em 4 de outubro no qual Lula obteve 45% dos votos e Bolsonaro, 47%.


