Meta de FHC para emprego será revista
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Cláudia Carneiro e Nelson Breve Agência Estado 
O pacote fiscal baixado pelo governo não compromete os programas de emprego, mas o cumprimento das metas de geração de emprego apresentadas pelo presidente-candidato Fernando Henrique para 99 vai depender de um crescimento de pelo menos 2% da economia e de políticas setoriais fortes de incentivo a setores cruciais - exportação, construção civil, agroindústria e turismo. A avaliação é do coordenador do programa de governo da reeleição, Carlos Pacheco.
Embora tenha elaborado as metas para a reeleição inicialmente sobre um patamar de crescimento econômico entre 3% e 4% no próximo ano, o coordenador admite que a instabilidade financeira mundial inviabiliza as projeções de quanto a economia brasileira pode vir a crescer em 99. Existem previsões que vão de 0% a 4%, ressalta ele. Com 2% ou 3% é possível cumprir as metas de emprego.
Para o economista, cumprir a meta de emprego vai depender não só da taxa de crescimento da economia, mas da prioriedade política aos setores que são potencialmente geradores de empregos e que dependem pouco de importações. A assessoria de FHC aposta que construção civil, turismo e a área de exportação não serão achatados pela crise se houver uma intensiva política de incentivos.
Alguns setores são comprometidos pela instabilidade financeira e minam em parte os planos de FHC para reduzir a pressão do desemprego, como o setor de serviços, que está diretamente atrelado ao crescimento econômico. Pacheco diz que o programa de governo não levou em consideração a atual crise financeira desencadeada com a moratória da Rússia, mas uma crise estrutural que vem desde a desvalorização do peso mexicano e levará alguns anos para ser debelada.
Segundo ele, o programa foi discutido durante meses com a equipe econômica, que deu seu aval final antes de ser anunciado. Esse programa não é incompatível com esse cenário. Foi elaborado e discutido em conjunto com a equipe econômica, que também deu suas contribuições, ressaltou.
Ao contrário das análises feitas pelo mercado financeiro, os cortes no Orçamento anunciados são particularmente duros para este fim de ano, afirma a assessoria. Com relação ao ano que vem, a coordenação da campanha defende que o governo tem condições operacionais de alcançar integralmente a meta de superávit primário de R$ 8,7 bilhões.
A coordenação da campanha destaca o setor de saneamento básico como um dos principais responsáveis pela entrada do capital externo que é esperado para os próximos anos. Saneamento é uma área com mesmo potencial da telefonia, argumenta Pacheco. Antes da crise, o governo contava com investimentos de R$ 40 bilhões só nos setores de saneamento e habitação. Quanto aos investimentos estrangeiros diretos, o programa de governo de FHC projetou uma meta de entrada de US$ 50 bilhões nos próximos quatro anos.


