Meta agora é convencer os senadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Mari Tortato Curitiba 
Arquivo FolhaEstudo do terrenoGiovani Gionédis, da Fazenda: Paraná passa a quebrar resistências A equipe de secretários da área econômica do governo do Estado intensifica esta semana o trabalho de convencimento da maioria dos 27 senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Congresso, para ver derrubadas as barreiras políticas para liberação de empréstimos internacionais ao Paraná. Por enquanto, só temos garantia de oito senadores, mas vamos atrás do que resta, disse ontem o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
A polêmica da capacidade de endividamento do governo volta a ser debatida na terça-feira junto com técnicos do Banco Central e do Tesouro Nacional, para voltar à pauta de votação da CAE na quinta-feira.
Gionédis diz que a questão agora é o batimento de contas dos balanços apresentados pelo governo por técnicos do BC e Tesouro Nacional. Para ele e o restante da equipe, o entrave da abertura dos protocolos de intenções firmados com as montadoras já foi derrubado na semana passada. O senador Osmar Dias (PSDB-PR) insiste no contrário.
O presidente da CAE, senador José Serra (PSDB-SP), derrubou essa exigência quando colocou duas propostas distintas em votação na última quinta-feira. É no que se baseia Gionédis para dizer que os senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Osmar Dias foram derrotados na defesa dessa tese. Valendo-se de sua habilidade em votações, Serra teria englobado a votação da proposta do senador Esperidião Amin (PPB-SC) - de que os contratos com as montadoras fossem abertos em sessão secreta da comissão - à do senador Valdec Ornellas (PFL), que antes já tinha proposto a exclusão dessa exigência.
O senador Serra pôs as propostas em votação considerando uma excludente da outra. Como a de Esperidião Amin foi rejeitada, prevaleceu a de Ornellas, resume Gionédis. Osmar Dias tenta provar que a proposta de Ornellas nem entrou em votação. É só consultar as notas taquigráficas, rebate Gionédis. A reprodução do que se discutiu na CAE só deve ser divulgado amanhã.
Trabalhando com o empecilho protocolos afastado, Gionédis adianta que o Paraná passa a quebrar resistências em questões como o comprometimento da folha de pagamento, em relação à Lei Camata. Nunca negamos que ainda não nos adequamos aos 60% de comprometimento da receita corrente, mas outros Estados como o Rio Grande do Sul e São Paulo enfrentam o mesmo problema e garantiram empréstimos no Senado, compara ele. A Lei Camata abre possibilidade de enquadramento até 98.
O Paraná só quer isonomia, mas estamos enfrentando uma querela política com a dupla de senadores Requião e Osmar e isso está claro para todo mundo, diz Gionédis. Se nos derem 2% do que foi liberado para São Paulo (um socorro de R$ 50 bilhões avalizado pelo governo federal) já está de bom tamanho, emenda.


