Mesquinhez sublime
Duvido que tenha havido um só jornalista em todo Paraná mais duro em cima do governo Lerner do que eu. No rádio (a CBN Curitiba) e nesta ''Folha'' fiz desse ofício algo missionário e isso não apenas nos oito anos de governador, já que sempre mantive postura crítica à apregoada genialidade do urbanista nas ações que desenvolveu em Curitiba e mitificadas em escala internacional.
As notícias do fechamento do Parque da Ciência, que empolgava as áreas da ciência por seu sentido pedagógico e indutor às novas gerações, e da suspensão da super-sopa, concentrado com restos de alimentos da Ceasa, nos dá, de repente, a impressão de que a mesquinharia chegou à sublimidade. Se o Museu, hoje rebatizado com o nome do seu autor Niemeyer, não tivesse a expressão internacional que ganhou seria alvo dessa iconoclastia. Aliás tentativas nesse sentido foram deflagradas com sugestões estapafúrdias como a de abrigar essa ornamental secretaria de Cultura.
Há o argumento do vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, que nunca escondeu o desejo de restabelecer o Parque Castelo Branco, feito inegável do governador Paulo Pimentel e que restabeleceu a mística da pecuária entre nós, mas que perdeu expressão ao longo do tempo, de que a Capital carecia de um parque de exposições, embora capaz de contaminar a represa do Iraí que dá água com alga e passaria a fazê-lo com mijo de vaca.
Acho que Requião tem razão em rever contratos, denunciá-los e submetê-los ao crivo do Ministério Público e do Judiciário. Sabe dos riscos que corre se entre atos bem intencionados transbordar para o temerário, mas iconoclastia não pega bem até porque em Curitiba pelo menos as referências físicas do PMDB em obras é um nada redondo, mal disfarçadas com a afirmação invejosa de que tudo o que há na Capital é toalete e nada mais. Iniciativas como a da Super-sopa já são referidas no site do Ministério da Segurança Alimentar como contribuição importante, ao lado de outras de Taniguchi, para o ''Fome Zero''.
FOLCLORE - Há um aspecto na personalidade de Roberto Requião interessante no seu apego às farpas, à boutade, inclusive com amigos. Um dia, ainda no primeiro mandato, um delegado de polícia, que se sobressai nas rodinhas da Boca Maldita, por suas tiradas de espírito, apareceu por lá com dois Rottweiler, no desfile habitual dos sábados. O governador ficou observando o xerife a exibir os seus cães de guarda e não resistiu à perfídia de dizer que se sentia intimidado, mas não por causa da possível mordida dos cachorros.
Uma ocasião lamentavam na roda que o Romaneli tivesse apenas um rim como um seu irmão gêmeo univitelino ao que o correligionário, mais elevado na hierarquia, repicou sugerindo que a maior parte do cérebro ficara com o outro. É um folguedo, às vezes maldoso, no qual os caricaturados nem se ligam.





