A Justiça de Alagoas aceitou ontem a denúncia contra o tenente-coronel Manoel Cavalcante por crimes de formação de quadrilha, furto e recepção de carro roubado. Em depoimento de três horas, no fórum de Maceió, Cavalcante - suspeito de liderar o crime organizado no Estado - alegou que estava sendo perseguido por causa de sua atuação política. Mesmo preso, o tenente-coronel manterá sua candidatura a deputado estadual pelo PTB - o mesmo partido do governador Manoel Gomes de Barros.
O tenente-coronel está no centro de uma crise na polícia, Justiça e política de Alagoas. Na segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, general José Siqueira, denunciou que, por trás de Cavalcante e de outras 24 pessoas presas em Maceió por participação no crime organizado, estavam políticos, empresários e juízes. Siqueira vinha recebendo ameaças de morte e acabou pedindo demissão na noite de segunda-feira. Por causa da crise, o ministro da Justiça, Íris Rezende, e o diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelloti, foram a Maceió para discutir a situação com o governador e autoridades.
Cavalcante prestou depoimento protegido por um forte esquema de segurança. O fórum estava cercado por 50 homens do batalhão de Choque da Polícia Militar e agentes da Polícia Federal. O Comando de Operações Táticas (COT) - grupo de elite da PF de Brasília - guardava a entrada do prédio com fuzis automáticos M-16.
Diante das ameaças de morte recebidas por magistrados de Alagoas, o depoimento do tenente-coronel foi assistido por 15 juízes e cinco procuradores.
Os juízes e promotores que participaram da audiência contaram que Cavalcante negou envolvimento em todos os crimes dos quais é acusado. Após decisão da justiça, o tenente-coronel terá três dias para apresentar sua defesa.
O advogado de Cavalcante, Givan Lisboa Soares, disse que não entrará com habeas-corpus contra a prisão de seu cliente porque, segundo ele, o pedido seria negado.

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