Mesmo com confirmação de Íris e Padilha, PMDB pode apoiar CPI
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaFirmeza ideológicaÍris Rezende: de adversário da reeleição para FHC a ministro da Justiça em apenas quatro mesesBRASíLIA - A novela da escolha dos dois ministros do PMDB acabou no início da noite de ontem, com o anúncio oficial de que o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) comandará o Ministério dos Transportes e o senador Íris Rezende (PMDB-GO), o da Justiça. Ao atender às reivindicações da cúpula do PMDB mesmo depois de o partido ter devolvido ao presidente Fernando Henrique Cardoso a prerrogativa de indicar nomes, o Palácio do Planalto aposta nas nomeações para resolver os problemas políticos do governo no Congresso.
O Ministério da Justiça tem sido tradicionalmente comandado por um jurista, mas o senador Íris Resende é um parlamentar que tem o conhecimento e a liderança política necessários para ocupar o posto e ajudar a mantar a estabilidade na base do governo no Congresso, disse o porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral. Vou trabalhar de mãos dadas com o ministro Luiz Carlos Santos (dos Assuntos Políticos), para conseguir melhor desempenho da base parlamentar, antecipou o ministro Íris Rezende.
Não será um trabalho fácil, na avaliação do presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE). Segundo Paes, a nomeação dos ministros peemedebistas não garante o apoio incondicional do PMDB, e menos ainda o compromisso de evitar que se instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de compra de votos para aprovar a reeleição.
O Planalto avalia que uma CPI acabaria não só com o ano legislativo, mas com qualquer projeto do governo que dependa da aprovação do Congresso. A CPI paralisa tudo e põe fim ao governo, resumiu um ministro de Estado. Mas Paes de Andrade antecipa que não se sentirá constrangido ao assinar o requerimento de criação da CPI, o que pretende fazer na terça-feira. Eu e outros companheiros de partido vamos apoiar a CPI no momento em que forem divulgados os resultados da sindicância, porque só esta comissão terá poderes para fazer uma investigação profunda e apontar os culpados no Congresso e no governo, disse Paes de Andrade.
O ministro Eliseu Padilha responde a inquérito por crime contra a ordem tributária no Supremo Tribunal Federal (STF), o que atribui a um erro do contador da prefeitura da Tramandaí (RS), que comandou entre 1989 e 1993. Ao confirmar sua nomeação para os Transportes, o porta-voz disse que o presidente Fernando Henrique tomou conhecimento do inquérito e que isso não representa qualquer impedimento para que o deputado assuma o ministério. Não há qualquer dúvida sobre a idoneidade dele, disse o embaixador Sérgio Amaral.
De acordo com o porta-voz, os novos ministros têm competência exclusiva para escolher seus assessores. Mas deu o recado do Palácio: Como há um projeto em andamento e é preciso dar continuidade a ele, é possível que sejam aproveitados os atuais ocupantes dos cargos.


