Os votos de londrinenses que ajudaram a eleger presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores nas últimas cinco décadas foram acompanhados de perto pelo servidor público aposentado Antonio Capeloto, 74 anos. Há mais de meio século ele é convocado para trabalhar como mesário de uma zona eleitoral da zona sul de Londrina, função que tem exercido com leveza e bom humor.

"A primeira vez que fui chamado para trabalhar como mesário foi em 1966 e de lá pra cá não deixei de ser convocado em nenhuma eleição", conta ao relatar como aconteceu sua primeira convocação. "Eu morava no distrito rural de Taquaruna, onde trabalhava como professor. Como conhecia todos os moradores de lá, acabei tendo meu nome indicado para ajudar nas eleições por um dos grupos de fazendeiros que mexiam com política local naquela época. Quando recebi a carta da Justiça Eleitoral do Paraná me convocando, fiquei apreensivo. Mas logo percebi que o trabalho era tranquilo, já que havia apenas 120 eleitores", lembra.

Desde que mudou-se para Londrina, em 1975, Capeloto é convocado para trabalhar como mesário de uma seção instalada na Escola Municipal Eugênio Brugin, localizada no conjunto São Lourenço. "Apesar de atendermos centenas de eleitores, nunca presenciei nenhuma ocorrência grave. As pessoas só ficam bravas quando tem filas longas. E a gente trabalha com rapidez justamente para que isso não ocorra. Por aqui já vi passar diversas gerações de eleitores da mesma família, os eleitores daquela época são avós e bisavós dos eleitores de hoje", comenta.

A intimidade com os moradores locais é tanta que os eleitores já são reconhecidos pelo mesário antes mesmo de apresentarem os documentos ao mesário. "Também sou morador do bairro e encaro o dia de eleição como uma oportunidade de rever pessoas conhecidas. Na grande maioria das vezes, vejo a pessoa na fila e, quando chega a vez dela votar, o livro de presença já está aberto na página com o seu nome. O eleitores se espantam, mas agradecem pela agilidade", diz o mesário, que é um dos mais antigos de Londrina.

Com tantas eleições no currículo, o aposentado já não se surpreende quando acontece alguma divergência entre os comentários sobre a intenção de votos e o resultado efetivo nas urnas. "Não acredito que seja possível fraudar as urnas eletrônicas, que além de confiáveis agilizam bastante o nosso trabalho. As divergência acontecem com frequência porque muita gente tem vergonha de dizer que vai votar em candidatos polêmicos, aí falam que vão votar em outros nomes, mas chega na urna e acaba votando em quem dizia que jamais votaria", avalia.

Apesar de não reclamar pelos serviços prestados à Justiça Eleitoral há 52 anos, Capeloto revela que já preencheu um formulário solicitando que seu nome não seja mais indicado à função de mesário. "Fiz isso neste ano e acredito que nas próximas eleições não vou mais trabalhar. Acho que já cumpri o meu papel", enfatiza. "Pretendo continuar votando porque acho importante, mas ando muito desencantado com a política atual. Infelizmente não aparece nenhum candidato que se mostre realmente preocupado em resolver os problemas do nosso país. Hoje em dia a gente só ouve discursos vazios e frases feitas. É uma pena", conclui.

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