Tudo azedou repentinamente quando, em 8 de julho de 2005, em meio a um evento no Palácio do Planalto, Bastos foi informado de que um assessor do deputado José Nobre Guimarães (irmão do então presidente do PT, José Genoino) fora preso em São Paulo com dólares na cueca. Transmitiu o informe a Lula na mesma hora. Depois, relataria a um amigo que, em quatro anos de convivência, nunca vira Lula tão desolado. ''Meu Deus, onde é que isso vai parar?'', balbuciou o presidente, como se tivesse perdido o rumo.
Mas o pior ainda estava por vir. Em 11 de agosto, o publicitário Duda Mendonça confessou, na CPI dos Correios, que recebera no exterior parte do pagamento pela campanha de Lula. Naquela noite, Bastos e Palocci foram conversar com o presidente na Granja do Torto. Sem rodeios, opinaram que a confissão de Duda o atingia pessoalmente e que a situação, a partir disso, fugia ao controle do governo. As análises impactaram Lula, que aceitou a sugestão de procurar Fernando Henrique mais uma vez para negociar.
O enviado desta vez foi Palocci, que fez ao ex-presidente um relato assustador. Contou que o governo se sentia desorientado e que os conselheiros próximos a Lula temiam por ele após as últimas revelações, que iam do grotesco - os dólares na cueca de um assessor petista - ao dramático - a comprovação de que Duda recebera dinheiro ilegal pela campanha, o que jogava o escândalo no colo de Lula. Disse que havia novos escândalos não revelados, como um rombo que passaria dos R$ 500 milhões no Banco do Brasil.
Palocci chegou a admitir que tudo aquilo era ''um desastre, um desastre''. Noutro momento, teria dito: ''Está tudo perdido.'' Ao final, fez um apelo ''em nome da democracia e do futuro do País'' - que a oposição desse uma trégua para dar tempo ao governo de ''consertar tudo'', exorcizando o seu visível lado podre. Ao final, indagou se Fernando Henrique aceitaria um encontro com Lula. O ex-presidente topou; exigiu apenas que houvesse um convite e um encontro públicos. (C.M.)

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