A Secretaria Municipal de Educação abre hoje procedimento administrativo para a compra emergencial de itens básicos da merenda escolar. De acordo com a secretária Carmem Baccaro Sposti, a medida é necessária porque os pedidos feitos em março não puderam ser licitados via pregão eletrônico ante a inviabilidade de acesso ao prédio da Prefeitura, com a greve que completa 30 dias.
Segundo a secretária, a maior parte das 52 escolas que não aderiram ou aderiram apenas parcialmente à paralisação conta atualmente apenas com ''estoques baixos'' de arroz, macarrão, açúcar, sal e óleo. ''Estamos calculando quanto será comprado, mas serão gêneros que durem 45 dias'', afirmou, para completar: ''Acredito que até sexta estará tudo normalizado, assim como já estão as entregas dos hortifruti e das carnes''. O estoque emergencial contemplará também escolas estaduais e entidades filantrópicas.
A gerente do setor de merenda da Secretaria, Cristina Yoshida, comentou que uma nutricionista avaliará hoje que outros produtos terão de ser comprados emergencialmente. O fornecimento de leite, assegurou, foi normalizado semana passada após a autorização de pagamento por depósito em conta corrente aos fornecedores, feita pelo secretário de Fazenda, Wilson Sella. ''Muitos não tinham recebido não por falta do dinheiro, e sim pelos problemas de acesso à prefeitura'', explicou.
Cristina declarou que já há escolas recorrendo à verba da Associação de Pais e Mestres (APM) para complementar os itens em falta nas prateleiras. ''Nas creches o problema não é tão grave, mas em algumas escolas, sim''.
É o caso, por exemplo, da Escola Estadual Doutor Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste). O diretor José Carlos de Paula disse que a unidade não recorreu exatamente à APM, dada ''a falta de recursos dela'': o jeito foi usar parte do dinheiro do Fundo Rotativo, voltado à manutenção das instalações. ''Temos hoje apenas arroz e macarrão para servir os 950 alunos, a maioria deles carentes'', contou. De Paula asseverou que nenhum deles ainda ficou sem merenda, o que pode mudar logo. ''Nos garantimos por mais dois ou três dias, no máximo'', alertou o diretor.

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