O custo de um almoço no contrato de terceirização entre a Prefeitura de Curitiba a empresa Risotolândia, de R$ 3,08, é mais de três vezes o valor pago pela Prefeitura de Londrina à SP Alimentação pela mesma refeição, de R$ 0,89. A diferença no cardápio conta a favor da alimentação da capital -todos as refeições contam com um acompanhamento (vegetal refogado), além da salada, arroz, feijão, carne e fruta. Em Curitiba, também não há limite para repetição do prato. Em Londrina, é permitida uma repetição e a presença de suco geralmente substitui a fruta.
A nutricionista-chefe da Prefeitura de Curitiba, Sirlei Moletta Valaski, não quis comentar os valores das refeições. Ela afirmou que considera a merenda de boa qualidade e que a terceirização é mais vantajosa. ''Manter o padrão em todas as unidades é mais fácil dessa forma.'' Sirlei afirmou que em cidades pequenas talvez a municipalização possa ser mais adequada. Ao contrário de Londrina, a merenda em Curitiba não é feita nas próprias escolas - o preparo acontece num só local e as refeições são distribuídas para as unidades. Outra diferença é que na capital há duas empresas prestadores do serviço -a J.Coan para as pré-escolas e a Risotolândia para o ensino fundamental.
O processo de terceirização na capital foi gradativo - ainda hoje 14 unidades contam com merendeiras do município.
Já em Londrina, a terceirização criou uma situação inusitada. As 40 merendeiras e 140 auxiliares de cozinha dos quadros do município estão em desvio de função. De acordo com estimativa do diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação, Jair Ramos, o custo de salário com elas chega a R$ 2 milhões por ano. ''Elas poderiam estar nas cozinhas preparando os alimentos.''
Ramos coordenou o programa de merenda escolar quando o sistema era municipalizado. ''Era mais fácil resolver os problemas que surgiam. Quando acontecia irregularidade com algum fornecedor, a gente cancelava o contrato. Agora, a gente vê um monte de denúncias e a empresa continua a mesma.''
Em Maringá, o sistema de merenda escolar é municipalizado. Uma pesquisa feita pela Secretaria de Educação há dois anos concluiu que a terceirização é mais cara e não geraria ganhos de qualidade. Apesar disso, não há um estudo atualizado sobre o valor da merenda escolar - já que os custos com funcionários e com professores que se alimentam com os alunos não são discriminados.
A prefeitura de Curitiba não informou o valor do contrato com a Risotolândia. Em Londrina, o município repassou R$ 7,8 milhões para a SP em 2008. (F.C.)

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