Brasília - O Mercosul e o CGC (Conselho de Cooperação do Golfo) assinaram ontem um acordo de parceria comercial. Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro comemorava, um alto funcionário da Argentina defendia a revisão conceitual do bloco sul-americano. O documento assinado ontem é, na verdade, uma espécie de carta de intenções com as regras gerais que nortearão as trocas econômicas dos dois blocos. É um arcabouço jurídico. O próximo passo, ainda sem data definida, é a criação de uma lista de produtos que receberão preferências tarifárias. A última etapa é a criação de uma zona de livre comércio.
''O acordo é extremamente importante e, por si só, já seria justificativa suficiente para haver a cúpula'', declarou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Sobre a ausência de um cronograma definido para as próxima fases de consolidação do acordo, Amorim afirmou que o que foi firmado ontem já é um ''sinal político que gera mudança''. ''Esse é um grande acordo. É um acordo pioneiro. Tem muita gente querendo assinar com o CGC e o Mercosul está sendo pioneiro'', disse.
Quanto às possibilidades de incremento das exportações brasileiras, o ministro não se arriscou a traçar metas. Repetindo o que o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, tem afirmado, Amorim argumentou que as exportações para todos os países árabes deve atingir de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões nos próximos três anos.
Em nota oficial, o CGC também saudou o novo acordo. ''Esperamos ansiosamente pela visita da delegação do Mercosul no secretariado do conselho em Riad (capital da Arábia Saudita) num futuro próximo para lançar os trabalhos necessários para implementar o acordo'', diz trecho da nota. O Conselho de Cooperação dos Países do Golfo reúne a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuait, Oman e Barein.

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