Mercado reage mal à indicação
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sábado, 07 de fevereiro de 2015
Agência Estado 
Rio - A nomeação do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para assumir o comando da Petrobras no lugar de Graça Foster não foi bem digerida ontem pelo mercado. O fato de o executivo ser alinhado com o governo federal frustrou as expectativas de analistas, que esperavam um nome de peso do mercado financeiro e independente, menos suscetível a interferências do Planalto na estatal.
Com Bendine, o esperado choque de credibilidade não vai acontecer, disse Ricardo Kim, analista da XP Investimentos. O mercado esperava alguém com autonomia para reverter a situação difícil vivida pela companhia. "Com Bendine à frente do Banco do Brasil, os bancos públicos aumentaram sua participação no estoque total de crédito, pressionando as margens praticadas pelo setor. É uma sinalização de sua proximidade com o governo", afirmou.
Um analista que preferiu não se identificar lembrou que em dezembro a imprensa ventilou que Bendine poderia ir para a presidência da Cielo. A reação do mercado foi negativa. "O mercado não viu com bons olhos a ida dele nem mesmo para outra empresa do setor financeiro. Isso mostra que não é um executivo de confiança dos investidores", afirmou o analista.
"Não vejo questionamentos sobre sua capacidade. O problema é que a escolha não corresponde à expectativa do mercado de diminuição do nível de ingerência do governo na Petrobras", disse a analista da Concórdia, Karina Freitas.
Para José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, a reação negativa ocorreu não pela falta de competência do executivo, mas por seu perfil profissional. "Independentemente da competência, ele tem uma característica importante: é uma pessoa diretamente ligada à presidente Dilma Rousseff", destacou o economista.
Na avaliação do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a reação negativa é reflexo da credibilidade "bastante discutida" e pelo perfil mais político do que técnico do gestor. "Ele fez um grande trabalho no BB do ponto de vista financeiro, mas há dúvidas em relação à credibilidade dele, que ficou bastante discutida por conta de eventos levantados", avaliou Agostini.
"Quando a Graça (Foster) saiu, o mercado reagiu positivamente. O próximo passo seria indicar alguém que tivesse relação extremamente técnica com o setor, que não tivesse apelo político e comprometido com o resgate da credibilidade e das finanças da empresa. Para isso, teria que ter alguém com biografia extremamente indiscutível na gestão de grandes empresas", afirmou Agostini.


