A abertura do mercado de telefonia, a partir do ano que vem, poderá tornar inevitável a privatização da Sercomtel Celular. Pelo menos é essa a avaliação do presidente da empresa, Rubens Pavan, e de outros especialistas consultados pela reportagem. O próprio prefeito eleito, Nedson Micheleti (PT), não descartou a venda de ações – ainda que depois de um longo processo de discussão. ‘‘A minha preocupação é com a abertura da concorrência já a partir do ano que vem, com a Banda C’’, confirmou Nedson à Folha, na semana passada.
O assunto é polêmico, sobretudo após o trauma causado com a venda de 45% das ações para a Copel, em 98, na administração do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido). Apesar do novo parceiro estratégico e dos R$ 186 milhões obtidos com a venda, os recursos ao invés de serem canalizados para obras, acabaram se esvaziando nos ralos da corrupção.
Em entrevista à TV Cidade (SBT), Pavan disse ontem que a Sercomtel Celular tem que optar entre duas alternativas: ou investe num nicho de mercado, reduzindo custos e implantando serviços específicos, ou privatiza – com a venda em bolsa ou fundindo com uma grande operadora. ‘‘A nova administração tem que tomar essa decisão sem muita demora.’’ Ele acrescentou que uma consultoria recente, feita por empresa internacional, revelou que o valor da Sercomtel Celular seria de US$ 100 milhões – R$ 200 milhões.
O economista João Rezende, ex-secretário municipal da Fazenda, também entende que da maneira como a empresa é administrada hoje, o melhor caminho seria a privatização – tanto da empresa de telefonia celular com a fixa. ‘‘Eu avalio a situação sob dois aspectos: um é o mercado; o outro, a função estratégica. E a Sercomtel há muito tempo não vem investindo em projetos para a cidade. Ou seja, para a cidade significa muito pouco a empresa ser privatizada ou não’’, destacou.
Já o futuro presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, descartou a privatização. Ele lembrou que uma lei municipal proíbe a venda de ações da empresa e que isso só poderia ser feito em bolsa de valores, com autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No entanto, Francisco Roberto lembrou de declarações do próprio Nedson, segundo as quais se a empresa tiver dificuldade para sobreviver no mercado, a sociedade deverá decidir o futuro da empresa. As bandas C e D devem entrar no mercado em julho e a banda E, no final do ano. Hoje, a Sercomtel Celular já enfrenta a concorrência da Global Telecom.
Francisco Roberto também não concorda que a Sercomtel esteja afastada da comunidade. Ele afirma que além de socorrer financeiramente a prefeitura em diversos momentos, a empresa é uma ‘‘mola propulsora’’ da cidade. ‘‘Dizer que a Sercomtel não estaria interligada com a cidade não é verídico. Com a geração de ICMS, a Sercomtel tem um papel fundamental na economia do município’’, defendeu. Além disso, ele destacou que as empresas do grupo geram 910 empregos, sem contar a Adatel (TV por assinatura). ‘‘Há uma integração muito grande da Sercomtel com Londrina’’, garante.

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