Mercado financeiro trabalha
com hipótese de segundo turno
A virada nas últimas pesquisas eleitorais, mostrando a queda de popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso e a decolada do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, surpreendeu não apenas os petistas mas o mercado financeiro. Do lado do mercado, houve, na opinião do ex-ministro Maílson da Nóbrega, uma adequação de expectativas: os analistas, que contavam com uma tranquila vitória de Fernando Henrique no primeiro turno, passaram a trabalhar com um cenário de segundo turno.
Do lado do PT, com a curva ascendente de Lula antecipada, os dirigentes passaram a ter mais cautela com a divulgação de opiniões sobre as questões mais sensíveis do ponto de vista do capital internacional, como câmbio, taxa de juros e política fiscal. Na semana passada, quando começaram a ser divulgados os primeiros números com a queda de popularidade do presidente, uma entrevista do assessor econômico de Lula, Guido Mantega, ao jornal ‘‘Gazeta Mercantil’’ provocou as primeiras reações no mercado. Mantega defendeu claramente a desvalorização acelerada do real. ‘‘Isso é opinião dele’’, afirmou o coordenador de programa de governo do PT, Marco Aurélio Garcia. ‘‘É uma avaliação de ordem teórica, com a qual estou de acordo, mas precisamos ter cuidado com assuntos que afetam diretamente os humores do mercado.’’
Segundo Maílson, o impacto das declarações apenas não foi maior porque, para o mercado financeiro, não está em questão a derrota de Fernando Henrique, mas o adiamento da vitória para o segundo turno. Na avaliação do ex-ministro, existem duas possibilidades de impacto forte e direto sobre o fluxo de capitais voláteis a curto prazo: como resultado de uma quebra na bolsa de Nova York ou da subida definitiva de Lula. ‘‘Se o Fernando Henrique aparecer como um derrotado lá para julho, o fato de o PT não ter economistas consistentes, e do assessor Guido Mantega desconhecer a relação entre câmbio e juros, vão ter, aí sim, um impacto brutal sobre o ingresso de capitais.’’ (AE)

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