Mercado de ações ignora votação do projeto de venda da estatal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2001
Carmem Murara<BR>De Curitiba 
O mercado fi nanceiro igno rou ontem o processo de vo tação na Assem bléia Legislativa para tentar im pedir a privati zação da Copel. A oscilação das ações da companhia de energia foi pequena e acabou seguindo a tendência das demais ações comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações fecharam em alta de 3,63%, seguindo tendência verificada na semana passada e na segunda-feira.
Pela manhã alguns investidores chegaram a especular sobre a votação dos deputados estaduais. O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), foi consultado por jornalistas que cobrem o mercado financeiro. O deputado acabou passando tranquilidade ao mercado, ao antecipar que a votação se estenderia até a noite, quando o pregão já estaria fechado.
As ações da Copel foram comercializadas sem muita euforia durante o dia, apesar de terem ficado acima do pregão que fechou com alta de 0,42%. As ações ONs (ordinárias nominativas) da Copel tiveram 52 negócios. As ações mais comercializadas foram as das empresas de telecomunicações. A Telesp teve a maior alta com 3,92%.
A pouca reação do mercado financeiro aos procedimentos que estavam sendo adotados na Assembléia Legislativa indicou que os investidores e os possíveis interessados na compra da estatal estão tranquilos. A atitude do mercado sinaliza que eles têm segurança de que o leilão de venda será mesmo no dia 31 de outubro. A movimentação das ações da Copel, ontem, na Bovespa indica ainda que há confiança na condução do processo por parte do governo.
Os maiores grupos mundiais que atuam no setor de energia já manifestaram interesse em comprar a Copel e por isso acompanham passo a passo as movimentações em torno da privatização. Algumas destas empresas já estão com representantes em Curitiba para avaliar o potencial da Copel.
A espanhola Endesa, a canadense Hydro Quebec e a francesa EDF já fizeram visitas ao 'data room' da Copel (sala de dados que contém todas as informações consideradas sigilosas e estratégicas da empresa). Elas prometem retornar para obter mais dados. Há o interesse ainda da norte-americana AES, da belga Tractbel e da alemã RWE em participar do leilão de privatização.


