Brasília - O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, livrou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime eleitoral no chamado dossiegate, que envolveu petistas na tentativa de compra de material contra tucanos na eleição.
Antonio Fernando enviou ontem parecer ao STF no qual se opõe à abertura de inquérito criminal contra Mercadante, derrotado na disputa ao governo de São Paulo, e pede a anulação do indiciamento dele, sob argumento de que não há indícios de prática de crime. ''Pode-se afirmar com segurança que não há um único elemento nestes autos que aponte para o envolvimento do senador Aloizio Mercadante nos fatos'', diz o procurador-geral. Ele sugere a retorno da apuração à Justiça Federal de Mato Grosso, para o seu aprofundamento em relação aos outros envolvidos, que não têm foro privilegiado no tribunal. O parecer em casos de arquivamento tem força de decisão. O relator do STF, ministro Sepúlveda Pertence, não terá alternativa a não ser acolhê-lo.
O procurador-geral sinaliza a ausência de indícios também contra o deputado Ricardo Berzoini, que presidia o PT na época, mas não está indiciado.
Entidades que representam policiais federais criticaram o entendimento do procurador-geral sobre Mercadante. ''Foi lamentável. Deu a nós a impressão de que a intenção do procurador-geral foi de desprestigiar o trabalho da Polícia Federal'', disse o delegado Sandro Torres Avelar, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.

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