Mercadante diz que 'CPI do boné' quer atingir Lula
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Agência Folha 
Brasília - O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), batizou de CPI do boné a comissão de inquérito criada a pedido do PSDB para investigar o MST. Para Mercadante, o real objetivo da oposição é atingir e desgastar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usou um boné dos sem-terra ao recebê-los no Planalto. Criaram [a oposição] a CPI do boné, mas esqueceram a CPI dos cartolas, disse Mercadante. A violência no campo tem raízes mais profundas. Esqueceram o assassinato de líderes sindicais, a impunidade, a grilagem de terras e a criação de milícias armadas no campo.
Os líderes partidários no Senado marcaram reunião para a próxima terça-feira a fim de decidir o que fazer com a CPI do boné. Não está descartada a hipótese de uma solução parecida com a que foi tomada em relação à CPI do Banestado, sepultada no Senado por decisão dos líderes e mais tarde reativada na Câmara.
O clima é tenso. O presidente usar o boné do MST é irrelevante, mas o governo precisa manter a isenção. Do contrário, mais tarde vai ter de usar o boné da UDR (União Democrática Ruralista) e tomar cafezinho com o Ronaldo Caiado [deputado do PFL e líder ruralista] em palácio, disse o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). A sigla é o fiel da balança: dez de seus 22 senadores aderiram à proposta de CPI do líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM).
A situação expõe a fragilidade da base de sustentação política do governo no Senado. Dos 36 senadores que assinaram o requerimento de Virgílio, 10 eram do PMDB, 2 do PPS e 2 do PDT. Para ser criada uma CPI, é exigido o número mínimo de 27 assinaturas. Se não houver meios de evitar a CPI , Mercadante vai propor na reunião dos líderes a ampliação da investigação para apurar o assassinato de líderes sindicais, a grilagem de terras e a criação de milícias armadas por fazendeiros. Se é para investigar a violência no campo, devemos fazê-lo em todas as suas formas. O que não pode é focar só na criminalização dos movimentos sociais, argumenta Mercadante.


