Brasília - O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse ontem que o partido não pretende dar fôlego a ideia da oposição de assinar uma nota conjunta cobrando o afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Mercadante afirmou que, apesar da bancada defender o licenciamento temporário do peemedebista, não há ''identificação'' partidária do PT com o das outras bancadas para pedir essa postura do peemedebista.
A proposta foi discutida na tarde de ontem por senadores do PSDB, DEM, PDT, PT e PSB. No encontro, a oposição sugeriu que a nota pedisse a renúncia de Sarney. Na tentativa de convencer PT e PSB a endossar o texto, os senadores se comprometeram em elaborar o documento a favor do licenciamento.
''O PT vem defendendo a licença do presidente Sarney e continuará pedindo essa postura que depende única e exclusivamente dele. Não faz sentido, não existe uma identificação entre o PT e a oposição para assinarmos essa nota conjunta.''
O PT desistiu ontem de reunir a bancada para rediscutir o pedido de licença temporária do presidente da Casa. Mercadante disse que o partido já expressou sua posição favorável ao afastamento temporário de Sarney em notas emitidas na semana passada - mesmo depois que o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que as notas não expressavam o pensamento integral da bancada.
''A bancada do PT já tomou a sua decisão em relação à crise que foi expressa em duas notas. As posições estão mantidas considerando que a licença do senador Sarney seria o melhor caminho'', disse.
Mercadante afirmou que respeita posições de ''ministros ou líderes partidários'' favoráveis à permanência de Sarney, mas reiterou que a bancada do PT defende que o peemedebista deixe o cargo por alguns dias.
''Nenhum senador (do PT) me pediu para rever essa posição. Estou conversando com todas as lideranças da Casa. Vou conversar com os partidos, buscar um clima que permita ao Senado superar essa crise. (A licença) seria um gesto de grandeza que contribuiria muito'', afirmou.
No final de julho, a bancada do PT divulgou notas assinadas por Mercadante nas quais o partido defende o afastamento temporário de Sarney da presidência do Senado. O ministro José Múcio veio a público afirmar que as notas não eram um ''movimento do PT''.

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