'Mensalinho' é reforçado em novo depoimento
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A suposta existência de um ''mensalinho'' a vereadores de Londrina pago pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), delatada esta semana pelo ex-vereador Orlando Bonilha (PR), foi ''em parte corroborada'' ontem por mais um depoimento prestado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A análise é do promotor Cláudio Esteves, após tomada de depoimento do vereador Roberto Fu (PDT), o qual declarara à Promotoria, em julho de 2005, ter conhecimento de que colegas poderiam receber uma ''ajuda de custo'' da empresa - uma das duas que detêm a concessão do serviço na cidade.
Ontem, porém, o pedetista declarou à Promotoria que dois vereadores, Bonilha e o atualmente afastado Renato Araújo (PP), seriam os controladores de uma lista dos eventuais beneficiados pelo pagamento, bem como do recebimento dos recursos. No termo de declaração de 2005, Fu declarara que Araújo o teria procurado, durante uma sessão no mês anterior, e indagado se estaria recebendo da TCGL. Em seguida, teria sido orientado a ''tomar cuidado'', já que seu nome figuraria em suposta ''lista do Gil'' - menção a Gildalmo Mendonça, diretor-geral da TCGL.
No depoimento, Fu acrescentou que em conversa mantida com Bonilha naquele ano e mês, dias após a abordagem de Araújo, no estacionamento da Câmara, o então presidente do Legislativo lhe teria dito para não acreditar no decano - afinal, o que viria da Grande Londrina ''era só uma ajudinha de campanha''. Adiante, Bonilha teria comentado que ''uma eleição custa caro'', momento em que Fu teria percebido suposta disputa de poder entre o então presidente e Araújo pelo controle da lista e do recebimento.
No depoimento ao MP, anteontem, Bonilha disse que a maioria dos vereadores recebia em média R$ 1.600 por mês como uma espécie de ''trabalho preventivo'' para que a Câmara não criasse problemas para a empresa. Seriam R$ 22,5 mil mensais, ao todo, distribuídos por 12 parlamentares. Sobre o depoimento de Fu, o coordenador do Gaeco resumiu: ''O que para nós foi importante foi que, em parte, corroborou o que o Bonilha nos disse''. Conforme a FOLHA apurou, contudo, as declarações de Fu ratifificariam as de Bonilha, esta semana, quando este disse que alguns vereadores ''eram chutados'' do suposto esquema do ''mensalinho'', ou seja, tinham seus nomes em uma lista apresentada à empresa, mas não recebiam. Em entrevista À FOLHA, anteontem, Araújo negou as imputações de Fu - disse que procurara o colega apenas ''para protegê-lo'', mas admitiu que o boato existia na Câmara ''há uns seis, sete anos''.
O diretor-geral da TCGL disse que ''quem denuncia é quem tem que provar''. Na avaliação de Mendonça, não há motivos para a empresa precisar pagar mesada a vereadores. ''Não precisamos do Legislativo, mas sim, única e exclusivamente do Executivo, que há três anos não reajusta nossa tarifa'', reclamou. Indagado sobre que razões veria para a TCGL ser citada, respondeu: ''Sempre que é ano eleitoral o transporte coletivo entra em pauta, não vejo outro motivo''.


