Independentemente do nome - ''ajuda de custo'', ''propina'', ''trabalho preventivo'' - ou da veracidade, o fato é que o suposto esquema de distribuição de recursos a vereadores por parte da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), delatado por Orlando Bonilha (PR), há anos agita os bastidores do Legislativo e mesmo do Ministério Público (MP). Na extinta Promotoria de Investigações Criminais (PIC), por exemplo - atual Gaeco -, um termo de declaração assinado em 29 de julho de 2005 pelo vereador Roberto Fu (PDT) já citava a possibilidade de uma lista de parlamentares receber recursos da empresa. À época, Fu relatara à Promotoria, sem apresentação de provas, que teria sido abordado durante uma sessão de junho daquele ano pelo vereador Renato Araújo (PP) e indagado se estava recebendo da empresa. Diante da negativa, o decano teria lhe orientado a ''tomar cuidado'' porque seu nome ''estava na lista do Gil da Grande Londrina''. Segundo Fu, a referência seria ao diretor-geral da TCGL, Gildalmo Mendonça, que já afirmou anteontem, em entrevista à FOLHA, não ter ''motivos para pagar mensalidades a vereadores''.
Em entrevista à FOLHA ontem, o pedetista afirmou que, ao questionar Araújo na ocasião sobre o motivo da pergunta, teria ouvido: ''Ele deu a entender que, se eu não estivesse buscando o dinheiro daquela 'ajuda de custo', alguém estaria fazendo isso em meu nome. Por isso resolvi levar ao MP'', afirmou. Na avaliação de Fu, ''parecia que ele (Araújo) estava de intriga com alguém, e como dias depois o Bonilha me procurou no estacionamento da Câmara dizendo que era 'puro veneno' aquela história de lisa, só posso imaginar que era entre os dois essa briga'', acredita.
Indagado sobre as razões de expor só agora algo levado ao MP há três anos, o pedetista alegou ter se sentido ''intimidado'' - negou uso eleitoral da informação. ''Pode ser que algum político argumente isso'', defendeu-se.
Araújo foi taxativo, de início, mas recuou: ''O Fu está mentindo. Ouvi uns boatos de que havia essa lista e que ele estava recebendo, então fui falar com ele para protegê-lo, mas nunca falei que a lista de fato existia. Isso é algo que se ouve nos corredores, e não é de hoje''. É de quando? ''De uns seis, sete anos.''
Ontem, ao término de seu depoimento ao MP, Bonilha detalhou o suposto esquema: disse que a maioria dos vereadores recebia R$ 1.600 por mês como uma espécie de ''trabalho preventivo'' para que a Câmara não criasse problemas para a empresa. Ele contou também que, após a eclosão do escândalo, em janeiro passado, a TCGL passou a fazer o pagamento para quatro meses, sempre em valores repassados diretamente pelo diretor da empresa. A lista dos vereadores que recebiam a propina foi repassada ao MP. (Colaborou Fábio Cavazotti)

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