Mensalão tucano: PGR quer pena de 22 anos para Azeredo
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sábado, 08 de fevereiro de 2014
Matheus Leitão<br>Folhapress 
Brasília - A Procuradoria-Geral da República apresentou na tarde de ontem as alegações finais do mensalão tucano ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual pede pena de 22 anos de cadeia e multa de R$ 451 mil para o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Assinada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a petição sugere a condenação de Azeredo pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
A ação investiga a suspeita de desvio de dinheiro público na campanha de reeleição para governador de Minas Gerais, em 1998, do hoje deputado federal Eduardo Azeredo. O tucano, que na época perdeu as eleições para Itamar Franco (morto em 2011), sempre negou as acusações.
Segundo a PGR, está demonstrado que "tanto o desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais quanto a lavagem desses capitais tiveram participação direta, efetiva, intensa e decisiva de Eduardo de Azeredo, que, além de beneficiário dos delitos cometidos, também teve papel preponderante em sua prática".
Janot ainda afirma que "há elementos probatórios absolutamente suficientes para afirmar com a segurança devida que (...) Azeredo participou decisivamente da operação que culminou no desvio de R$ 3,5 milhões" o que seria aproximadamente R$ 9,3 milhões em valores atuais.
Para a PGR, "Azeredo pretendeu, ao fim e ao cabo, praticar mais um episódio de subversão do sistema político-eleitoral, ferindo gravemente a paridade de armas no financiamento das despesas entre os candidatos, usando a máquina administrativa em seu favor de forma criminosa e causando um desequilíbrio econômico-financeiro entre os demais concorrentes ao cargo de governador de Minas Gerais em 1998".
Janot ainda diz que houve "complexa engenharia financeira utilizada para desvio de recursos públicos, demonstrando um prévio ajuste entre os envolvidos".
Pelo longo andamento do processo, a Justiça de Minas Gerais já confirmou a prescrição das acusações contra o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que à época coordenou a campanha de Azeredo.
Denúncias
Segundo a denúncia, o mensalão tucano foi um esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas de Minas Gerais para financiar a reeleição de Azeredo (PSDB).
O caso é similar ao mensalão do PT, e também teria participação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado em 2012 e preso em 2013, após conclusão do julgamento do esquema petista.
No Supremo, o processo sobre suposto desvio de recursos públicos em Minas corre contra Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), então candidato a vice na chapa de Azeredo. Outros processos sobre o caso correm em instâncias inferiores da Justiça mineira. Os réus do processo do mensalão tucano negam todas as acusações.
Defesa
Através de nota, Eduardo Azeredo disse que "manifesta ainda total estranheza com a contradição entre o relatório da Procuradoria e as provas apresentadas ao processo". O tucano negou seu envolvimento em um esquema de corrupção e disse esperar que o processo seja resolvido rapidamente.
Responsável pela defesa de Azeredo, o advogado José Gerardo Grossi afirmou que ainda analisa o material da Procuradoria, mas que deve finalizar em 15 dias as contrarrazões. Ele não quis dar detalhes da linha de defesa. "É um processo que está correndo dentro da normalidade", desconversou.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) evitou polemizar com o posicionamento de Janot. "O PT prevaricou porque não denunciou o mensalão. Não é o caso do PSDB, mas temos que respeitar a decisão do procurador", disse.


